Tem neguinho que diz que é o “ tampa” na arte de beber, porque ainda não conhece o Fernandão, eterno presidente da confraria dos boêmios vespertinos, chamada APA - Associação da Passarela do Álcool. Bom. A sugestão de criar essa entidade deve-se a outro confrade de copo chamado Ricardão, cujo objetivo é estimular e promover a comunhão entre os seus membros que curtem e aprecia a boa bebida, uma boa música, um bom papo.
Páreo duro, o Fernandão. Pessoa bem afeiçoada, com característica que lembra o grande ator e diretor do cinema brasileiro Anselmo Duarte. Gosta de se envolver em pesadas carraspanas, apesar das recomendações médicas que ele deveria passar o resto da vida afastado do álcool. Não faz por menos, uma vez que agora só possui um rim.
Seu parceiro e secretário da associação, Pedro 51, também jardineiro que nos dá assistência ao nosso condomínio, rola entre si uma eletricidade e um magnetismo etílico comovente. Tem uma particularidade: embarca o copo de uma vez, tragando o líquido em dois goles. Sob estrepitosa gargalhada, confessa: “Não sei o que será de nós sem um traguinho. Pra falar a verdade, dês que me entendo de gente que eu bebo”.
Na véspera de Natal, estávamos todos reunidos, quando dei fé vinha chegando o nosso presidente arrastando os pés, no seu esforço plástico, elástico, acrobático... para nos dizer que estava apto a permanecer no cargo, pelo fato de que jamais se afastou de suas obrigações “estatutárias” da organização. Para justificar a sua aptidão, engoliu de uma só vez a dolorosa do Conhaque Domecq.
Com sutileza de elefantes, o filiado dotô Fofinho olhou em torno, visível ar de contrariedade estampada na face, e por ser médico, deu o conselho: “Meu caro, reconheço que a cachaça tem mais força do que Deus, porque Deus dá juízo e ela tira, porém você não está em boas condições de saúde, razão pela qual te peço para que passe o bastão da presidência ao comandante Ruarez”. Com todas as suas pusilanimidades, medindo cada palavra, retruca: “Peraí. Pelo amor do Lá de Cima, não me peça isso!”.
Outro dia, num encontro com o companheiro Imperador, ícone glamourizado do fino Scott, foi um afrouxamento risadal (perdão pelo estranho neologismo) quando me perguntou como ia o nosso estonteante presidente. De pronto, respondi: “Zerando a sede com uma braminha”.
Permitam-me uma digressão: segundo o filósofo Ruarez “beber é arte, comer é vício”. Exímio gozador. Um verdadeiro craque em matéria de fazer rir; foi através dessa linguagem leve e descontraída que ele vociferou: “Vinte e quatro horas num dia, 24 cervejas numa caixa. Coincidência?”.
O Patrulheiro é a novidade - o tempero, o equilíbrio, a prudência - que faltava ao grupo, quando anuncia: “Beba com moderação. Melhor beber todo dia, do que beber o dia todo”.
LINCOLN CARTAXO DE LIRA
Advogado e Adm.Empresas
sábado, 29 de maio de 2010
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Homem na Lua - Teoria da Conspiração!!!
A chegada à Lua por parte da humanidade é um dos seus maiores feitos e fica como o facto mais importante do último século.
Mas passados mais de 30 anos do primeiro passo de Niel Armstrong na Lua, os mais cépticos continuam a questionar a veracidade deste acontecimento.
Cadeias televisivas, como a americana FOX, ou a francesa TV5, produziram diversos documentários sobre este tema. A TV5 foi mais longe e afirma que a administração Nixon desenvolveu um programa “secreto” no sentido de fabricar a chegada do homem à Lua, filmagens dirigidas por Stanley Kubrick, realizador das maiores obras do cinema “2001 – Odisseia no Espaço”. Para tal contava com depoimentos de Henry Kissinger, um nome importante da administração da NASA na década de 60, que segundo o mesmo, se opôs a esta decisão.
Os apoiantes desta teoria de conspiração apoiam-se em diversos factos. Um deles é a inexistência de estrelas no fundo das imagens que foram capturadas pelos astronautas. Para eles, na noite lunar o céu deverá ser, e é, muito estrelado e essas fotografias deveriam captar as estrelas desse mesmo céu. Mas é difícil capturar algo muito brilhante e algo muito ténue na mesma película. Quer os fatos dos astronautas quer o brilhante solo lunar ofuscaram completamente o céu estrelado, ficando apenas registado o astronauta, a superfície lunar e um céu muito escuro.
Porventura, a maior prova da ida do homem à Lua é a quantidade de rochas lunares trazidas pelos astronautas, 380 quilogramas destas rochas.
Para o Dr. David McKay, director do departamento de ciências planetárias da NASA, as amostras lunares quase que não tem água na sua estrutura cristalina, água que é muito comum nas rochas terrestres”. Mas as evidências geológicas não ficam por aqui, as rochas trazidas pelos astronautas das missões Apollo apresentam muitas pequenas crateras devido ao impacto de meteorito, o que só poderá acontecer em locais com pouca ou nenhuma atmosfera, como na Lua”.
As amostras lunares foram distribuídas por diversos centros de investigação em todo o mundo, incluindo Portugal, e foram muitas as publicações científicas que analisaram em detalhe os diversos aspectos geológicos e químicos destas rochas e nenhum questiona a veracidade das mesmas.
Será mesmo... olhem para o debate que acabou por nascer a volta do tema:
Não percebo como há pessoas que duvidam deste feito, em face de todas as evidências -desde rochas, passando pela parte de baixo dos módulos lunares que lá foram deixados, e acabando nos reflectores que foram lá colocados pelos astronautas e que permitem diariamente saber com precisão a distância a que a Lua está, entre muitas outras provas.
Harrison Schmitt recolhe pedras lunares: missão Apolo XVII
É curioso que quem duvida, por ignorância ou assumindo ignorância da parte dos seus leitores/ouvintes, assume que só esteve lá uma missão - foram 6 missões, com 12 homens ao todo!
É também curioso que quem duvida tenha como principal argumento a falta de estrelas nas fotos. É um disparate de argumento - mas é só um entre muitos, e até há piores! Qualquer pessoa com uma máquina fotográfica pode ir até lá fora e tirar uma foto ao céu estrelado e depois digam-me quantas estrelas aparecem.
Quanto ao não se ir agora lá – outro argumento sem sentido -, não é necessário inventarem-se teorias da conspiração. Sabe-se perfeitamente a razão para não se ir lá.
Como se costuma dizer: "já se tem a t'shirt, para quê voltar?" Foi-se lá por motivos políticos, esses motivos políticos desapareceram, tendo sido os motivos científicos a concentrarem-se na área à volta da Terra, mais precisamente nas experiências científicas na Estação Espacial Internacional. Para ir à Estação Espacial Internacional não é preciso um "embalo" tão grande - daí que os lançadores tipo Saturn V deixaram de ser necessários. Preferiu-se fazer os vaivéns espaciais - mas estes não têm poder para ir à Lua.
Ou seja, deixou-se de ir à Lua por motivos concretos, científicos, que fez com que deixasse de ser necessária a tecnologia mais "potente". Mas ela existe! Só não é precisa! Quando fôr precisa de novo, será novamente feita, melhor e mais moderna. Esperem pelos Chineses e pelo programa americano Constellation.
Apolo XV: giuando na Lua
Também acho interessante provavelmente terem um forno microondas na cozinha e mesmo assim duvidarem que o Homem foi à Lua. Com que objectivo pensam que o microondas foi desenvolvido? Sem a NASA e o programa lunar, essa era uma das tecnologias que não teriam em casa – entre outras!
O que considero completamente irracional é haver tantas provas de que fomos à Lua, é não haver um cientista que pense o contrário, e no entanto ainda haver gente que pensa que não fomos, só porque sim e apresentando argumentos ridículos.
Será que pensam que a ciência mente? Se é assim, então deixem de entrar na net (feita com base na ciência), não andem de carro (que trabalha devido a processos científicos), etc.
Ou será que pensam que os cientistas são mentirosos? Se é assim deviam deixar de ir a médicos (que são cientistas por natureza), e deviam ligar-se a grupos que dizem que a Terra não é redonda – estes também acreditam que todas as imagens tiradas por astronautas fora da Terra são falsas, não têm inteligência suficiente para perceberem que estão constantemente a utilizar tecnologia por satélite, e simplesmente não conseguem abrir os olhos durante um eclipse (quando se vê a sombra da Terra e ela é redonda).
Charles M. Duke Jr recolhendo amostras durante a missão Apolo XVI
Aristóteles provou que a Terra é redonda há mais de 2300 anos, e no entanto ainda há quem, no século XXI, não acredite e pense que ela é plana; quando, como eu disse atrás, basta abrir os olhos. Esta falta de pensamento racional estende-se a outras áreas – como por exemplo, a quem não acredita que o Homem foi à Lua.
Para concluir: todos os pensam que o Homem não foi à Lua, assumem obviamente que todos os cientistas estão a mentir. Ao fazê-lo, devem então pôr a hipocrisia de lado e deixar de ir aos cientistas ou de confiarem na ciência quando precisam (por exemplo, na net, na doença, etc); mas aconselho-vos a irem ainda mais longe! Como diz Richard Dawkins: convido todos esses que duvidam da ciência e dos conhecimentos dos cientistas para subirem ao topo de um edifício de 20 andares e atirarem-se cá para baixo.
Das duas uma: ou os cientistas são mentirosos e subsequentemente a gravidade não existe e a pessoa poderá voar sem problemas; ou então será menos uma pessoa no mundo com ideias disparatadas. Qualquer que seja a resposta, o mundo fica a ganhar!
Veja muito mais acercavda polemica em:
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=31925&op=all#cont
Mas passados mais de 30 anos do primeiro passo de Niel Armstrong na Lua, os mais cépticos continuam a questionar a veracidade deste acontecimento.
Cadeias televisivas, como a americana FOX, ou a francesa TV5, produziram diversos documentários sobre este tema. A TV5 foi mais longe e afirma que a administração Nixon desenvolveu um programa “secreto” no sentido de fabricar a chegada do homem à Lua, filmagens dirigidas por Stanley Kubrick, realizador das maiores obras do cinema “2001 – Odisseia no Espaço”. Para tal contava com depoimentos de Henry Kissinger, um nome importante da administração da NASA na década de 60, que segundo o mesmo, se opôs a esta decisão.
Os apoiantes desta teoria de conspiração apoiam-se em diversos factos. Um deles é a inexistência de estrelas no fundo das imagens que foram capturadas pelos astronautas. Para eles, na noite lunar o céu deverá ser, e é, muito estrelado e essas fotografias deveriam captar as estrelas desse mesmo céu. Mas é difícil capturar algo muito brilhante e algo muito ténue na mesma película. Quer os fatos dos astronautas quer o brilhante solo lunar ofuscaram completamente o céu estrelado, ficando apenas registado o astronauta, a superfície lunar e um céu muito escuro.
Porventura, a maior prova da ida do homem à Lua é a quantidade de rochas lunares trazidas pelos astronautas, 380 quilogramas destas rochas.
Para o Dr. David McKay, director do departamento de ciências planetárias da NASA, as amostras lunares quase que não tem água na sua estrutura cristalina, água que é muito comum nas rochas terrestres”. Mas as evidências geológicas não ficam por aqui, as rochas trazidas pelos astronautas das missões Apollo apresentam muitas pequenas crateras devido ao impacto de meteorito, o que só poderá acontecer em locais com pouca ou nenhuma atmosfera, como na Lua”.
As amostras lunares foram distribuídas por diversos centros de investigação em todo o mundo, incluindo Portugal, e foram muitas as publicações científicas que analisaram em detalhe os diversos aspectos geológicos e químicos destas rochas e nenhum questiona a veracidade das mesmas.
Será mesmo... olhem para o debate que acabou por nascer a volta do tema:
Não percebo como há pessoas que duvidam deste feito, em face de todas as evidências -desde rochas, passando pela parte de baixo dos módulos lunares que lá foram deixados, e acabando nos reflectores que foram lá colocados pelos astronautas e que permitem diariamente saber com precisão a distância a que a Lua está, entre muitas outras provas.
Harrison Schmitt recolhe pedras lunares: missão Apolo XVII
É curioso que quem duvida, por ignorância ou assumindo ignorância da parte dos seus leitores/ouvintes, assume que só esteve lá uma missão - foram 6 missões, com 12 homens ao todo!
É também curioso que quem duvida tenha como principal argumento a falta de estrelas nas fotos. É um disparate de argumento - mas é só um entre muitos, e até há piores! Qualquer pessoa com uma máquina fotográfica pode ir até lá fora e tirar uma foto ao céu estrelado e depois digam-me quantas estrelas aparecem.
Quanto ao não se ir agora lá – outro argumento sem sentido -, não é necessário inventarem-se teorias da conspiração. Sabe-se perfeitamente a razão para não se ir lá.
Como se costuma dizer: "já se tem a t'shirt, para quê voltar?" Foi-se lá por motivos políticos, esses motivos políticos desapareceram, tendo sido os motivos científicos a concentrarem-se na área à volta da Terra, mais precisamente nas experiências científicas na Estação Espacial Internacional. Para ir à Estação Espacial Internacional não é preciso um "embalo" tão grande - daí que os lançadores tipo Saturn V deixaram de ser necessários. Preferiu-se fazer os vaivéns espaciais - mas estes não têm poder para ir à Lua.
Ou seja, deixou-se de ir à Lua por motivos concretos, científicos, que fez com que deixasse de ser necessária a tecnologia mais "potente". Mas ela existe! Só não é precisa! Quando fôr precisa de novo, será novamente feita, melhor e mais moderna. Esperem pelos Chineses e pelo programa americano Constellation.
Apolo XV: giuando na Lua
Também acho interessante provavelmente terem um forno microondas na cozinha e mesmo assim duvidarem que o Homem foi à Lua. Com que objectivo pensam que o microondas foi desenvolvido? Sem a NASA e o programa lunar, essa era uma das tecnologias que não teriam em casa – entre outras!
O que considero completamente irracional é haver tantas provas de que fomos à Lua, é não haver um cientista que pense o contrário, e no entanto ainda haver gente que pensa que não fomos, só porque sim e apresentando argumentos ridículos.
Será que pensam que a ciência mente? Se é assim, então deixem de entrar na net (feita com base na ciência), não andem de carro (que trabalha devido a processos científicos), etc.
Ou será que pensam que os cientistas são mentirosos? Se é assim deviam deixar de ir a médicos (que são cientistas por natureza), e deviam ligar-se a grupos que dizem que a Terra não é redonda – estes também acreditam que todas as imagens tiradas por astronautas fora da Terra são falsas, não têm inteligência suficiente para perceberem que estão constantemente a utilizar tecnologia por satélite, e simplesmente não conseguem abrir os olhos durante um eclipse (quando se vê a sombra da Terra e ela é redonda).
Charles M. Duke Jr recolhendo amostras durante a missão Apolo XVI
Aristóteles provou que a Terra é redonda há mais de 2300 anos, e no entanto ainda há quem, no século XXI, não acredite e pense que ela é plana; quando, como eu disse atrás, basta abrir os olhos. Esta falta de pensamento racional estende-se a outras áreas – como por exemplo, a quem não acredita que o Homem foi à Lua.
Para concluir: todos os pensam que o Homem não foi à Lua, assumem obviamente que todos os cientistas estão a mentir. Ao fazê-lo, devem então pôr a hipocrisia de lado e deixar de ir aos cientistas ou de confiarem na ciência quando precisam (por exemplo, na net, na doença, etc); mas aconselho-vos a irem ainda mais longe! Como diz Richard Dawkins: convido todos esses que duvidam da ciência e dos conhecimentos dos cientistas para subirem ao topo de um edifício de 20 andares e atirarem-se cá para baixo.
Das duas uma: ou os cientistas são mentirosos e subsequentemente a gravidade não existe e a pessoa poderá voar sem problemas; ou então será menos uma pessoa no mundo com ideias disparatadas. Qualquer que seja a resposta, o mundo fica a ganhar!
Veja muito mais acercavda polemica em:
http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=31925&op=all#cont
terça-feira, 25 de maio de 2010
Movimento 'uma playmate em cada turma'
Se eu mandasse todas as professoras posariam nuas na Playboy. Primeiro, por uma questão de disciplina. Nenhum aluno arrisca a expulsão da sala onde lecciona a Miss Fevereiro.
Na qualidade de antigo aluno, a notícia da professora de Mirandela que posou nua na Playboy deixa-me indignado: no meu tempo não havia professoras destas. Na qualidade de cidadão que já foi capa da Playboy, o facto de a professora ter sido suspensa faz com que esteja solidário: nós, as coelhinhas, devemos unir-nos. Devo dizer, aliás, sem querer ser corporativista, que, se eu mandasse, todas as professoras posariam nuas na Playboy. O Ministério da Educação continua entretido com programas e avaliações e ignora aquilo de que o nosso sistema educativo precisa: professoras nuas. Primeiro, por uma questão de disciplina. Nenhum aluno arrisca a expulsão da sala onde lecciona a Miss Fevereiro.
Segundo, por razões de concentração no estudo. Qualquer jovem aluno já deu por si a imaginar a professora sem roupa. Eu não fujo à regra, e aproveito a oportunidade para pedir desculpa à Irmã Genoveva. Mas os alunos de professoras que posam na Playboy não perdem tempo com distracções dessas: não precisam. Se querem ver a professora despida, abrem a revista na página 49. Na sala de aula, concentram-se na compreensão da matéria.
Terceiro, para conseguir o desejado envolvimento da comunidade no processo educativo. Os encarregados de educação mais desinteressados passam a frequentar todas as reuniões de fim de período: os pais desejam ver a professora; as mães desejam verificar se os pais não se entusiasmam demasiado com o visionamento da professora. Padrinhos que não vêem o afilhado desde a pia baptismal virão de longe para se inteirarem do aproveitamento escolar do miúdo.
Infelizmente, a vereadora da Educação da Câmara de Mirandela pensa de outro modo. A exibição pública voluntária do corpo nu está interdita às docentes. Não se sabe a que outras profissões se alarga esta inibição. Canalizadoras podem posar sem roupa sem desprestigiar o nobre ofício de vedar uma torneira? Empregadas de escritório podem deixar-se fotografar nuas sem melindrar os carimbos? Ninguém sabe ao certo, mas parece urgente definir com rigor que outras profissionais estão deontologicamente impedidas de fazerem com o seu corpo o que quiserem.
Mais do que a suspensão, deve colocar-se em causa a recolocação da professora. O receio de alarme social levou a Câmara a retirar a docente do contacto com os alunos e a enviá-la para o arquivo municipal. Ora, o contacto com bibliotecários de óculos grossos que não vêem uma pessoa do sexo feminino nua desde 1977 não será mais perigoso e socialmente alarmante do que o convívio com jovens? Fica a pergunta, para reflexão das autoridades fiscalizadoras da nudez.
Na qualidade de antigo aluno, a notícia da professora de Mirandela que posou nua na Playboy deixa-me indignado: no meu tempo não havia professoras destas. Na qualidade de cidadão que já foi capa da Playboy, o facto de a professora ter sido suspensa faz com que esteja solidário: nós, as coelhinhas, devemos unir-nos. Devo dizer, aliás, sem querer ser corporativista, que, se eu mandasse, todas as professoras posariam nuas na Playboy. O Ministério da Educação continua entretido com programas e avaliações e ignora aquilo de que o nosso sistema educativo precisa: professoras nuas. Primeiro, por uma questão de disciplina. Nenhum aluno arrisca a expulsão da sala onde lecciona a Miss Fevereiro.
Segundo, por razões de concentração no estudo. Qualquer jovem aluno já deu por si a imaginar a professora sem roupa. Eu não fujo à regra, e aproveito a oportunidade para pedir desculpa à Irmã Genoveva. Mas os alunos de professoras que posam na Playboy não perdem tempo com distracções dessas: não precisam. Se querem ver a professora despida, abrem a revista na página 49. Na sala de aula, concentram-se na compreensão da matéria.
Terceiro, para conseguir o desejado envolvimento da comunidade no processo educativo. Os encarregados de educação mais desinteressados passam a frequentar todas as reuniões de fim de período: os pais desejam ver a professora; as mães desejam verificar se os pais não se entusiasmam demasiado com o visionamento da professora. Padrinhos que não vêem o afilhado desde a pia baptismal virão de longe para se inteirarem do aproveitamento escolar do miúdo.
Infelizmente, a vereadora da Educação da Câmara de Mirandela pensa de outro modo. A exibição pública voluntária do corpo nu está interdita às docentes. Não se sabe a que outras profissões se alarga esta inibição. Canalizadoras podem posar sem roupa sem desprestigiar o nobre ofício de vedar uma torneira? Empregadas de escritório podem deixar-se fotografar nuas sem melindrar os carimbos? Ninguém sabe ao certo, mas parece urgente definir com rigor que outras profissionais estão deontologicamente impedidas de fazerem com o seu corpo o que quiserem.
Mais do que a suspensão, deve colocar-se em causa a recolocação da professora. O receio de alarme social levou a Câmara a retirar a docente do contacto com os alunos e a enviá-la para o arquivo municipal. Ora, o contacto com bibliotecários de óculos grossos que não vêem uma pessoa do sexo feminino nua desde 1977 não será mais perigoso e socialmente alarmante do que o convívio com jovens? Fica a pergunta, para reflexão das autoridades fiscalizadoras da nudez.
Portugal é assim...
· Estádios de futebol, hoje às moscas,
· TGV,
· novo aeroporto,
· nova ponte,
· auto-estradas onde bastavam estradas com bom piso,
· etc. etc.
A quem na verdade serve tudo isto?
PORTUGUESES, LEIAM AS LINHAS SEGUINTES E PENSEM
A QUEM VAI SERVIR O TGV ...
1. AOS FABRICANTES DE MATERIAL FERROVIÁRIO,
2. ÀS CONSTRUTORAS DE OBRAS PÚBLICAS E .. CLARO,
3. AOS BANCOS QUE VAO FINANCIAR A OBRA ...
OS PORTUGUESES FICARAO - UMA VEZ MAIS
- ENDIVIDADOS DURANTE DÉCADAS
POR CAUSA DE MAIS UMA OBRA MEGALÓMANA ! ! !
Experimente ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio.
Comprado o bilhete, dá consigo num comboio que só se diferencia dos nossos 'Alfa' por nao ser tao luxuoso e ter menos serviços de apoio aos passageiros.
A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas.
Nao fora conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemáticos pelos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos.
Se nao os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantes recursos resultantes da substantiva criaçao de riqueza.
A resposta está na excelência das suas escolas,
· na qualidade do seu Ensino Superior,
· nos seus museus e escolas de arte,
· nas creches e jardins-de-infância em cada esquina,
· nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade.
Percebe-se bem porque nao
· construíram estádios de futebol desnecessários,
· constroem aeroportos em cima de pântanos,
· nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais.
O TGV é um transporte adequado a países de dimensao continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo.
É por isso que, para além da já referida pressao de certos grupos que fornecem essas tecnologias, só existe TGV em França ou Espanha (com pequenas extensoes a países vizinhos).
É por razões de sensatez que nao o encontramos
· na Noruega,
· na Suécia,
· na Holanda
· e em muitos outros países ricos.
Tirar 20 ou 30 minutos ao 'Alfa' Lisboa-Porto à custa de um investimento de cerca de 7,5 mil milhoesde euros nao trará qualquer benefício à economia do País.
Para além de que, dado ser um projecto praticamente nao financiado pela Uniao Europeia,ser um presente envenenado para várias geraçoes de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vao ter de pagar.
Com 7,5 mil milhoes de euros podem construir-se:
- 1000 (mil) Escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que substituamas mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas existentes (a 2,5 milhoes de euros cada uma);
- mais 1.000 (mil) creches (a 1 milhao de euros cada uma);
- mais 1.000 (mil) centros de dia para os nossos idosos (a 1milhao de euros cada um).
E ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhoes de euros para aplicar em muitas outras carências como, por exemplo, na urgente reabilitaçao de toda a degradada rede viária secundária.
Cabe ao Governo reflectir.
Cabe à Oposiçao contrapor.
· TGV,
· novo aeroporto,
· nova ponte,
· auto-estradas onde bastavam estradas com bom piso,
· etc. etc.
A quem na verdade serve tudo isto?
PORTUGUESES, LEIAM AS LINHAS SEGUINTES E PENSEM
A QUEM VAI SERVIR O TGV ...
1. AOS FABRICANTES DE MATERIAL FERROVIÁRIO,
2. ÀS CONSTRUTORAS DE OBRAS PÚBLICAS E .. CLARO,
3. AOS BANCOS QUE VAO FINANCIAR A OBRA ...
OS PORTUGUESES FICARAO - UMA VEZ MAIS
- ENDIVIDADOS DURANTE DÉCADAS
POR CAUSA DE MAIS UMA OBRA MEGALÓMANA ! ! !
Experimente ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio.
Comprado o bilhete, dá consigo num comboio que só se diferencia dos nossos 'Alfa' por nao ser tao luxuoso e ter menos serviços de apoio aos passageiros.
A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas.
Nao fora conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemáticos pelos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos.
Se nao os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantes recursos resultantes da substantiva criaçao de riqueza.
A resposta está na excelência das suas escolas,
· na qualidade do seu Ensino Superior,
· nos seus museus e escolas de arte,
· nas creches e jardins-de-infância em cada esquina,
· nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade.
Percebe-se bem porque nao
· construíram estádios de futebol desnecessários,
· constroem aeroportos em cima de pântanos,
· nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais.
O TGV é um transporte adequado a países de dimensao continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo.
É por isso que, para além da já referida pressao de certos grupos que fornecem essas tecnologias, só existe TGV em França ou Espanha (com pequenas extensoes a países vizinhos).
É por razões de sensatez que nao o encontramos
· na Noruega,
· na Suécia,
· na Holanda
· e em muitos outros países ricos.
Tirar 20 ou 30 minutos ao 'Alfa' Lisboa-Porto à custa de um investimento de cerca de 7,5 mil milhoesde euros nao trará qualquer benefício à economia do País.
Para além de que, dado ser um projecto praticamente nao financiado pela Uniao Europeia,ser um presente envenenado para várias geraçoes de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vao ter de pagar.
Com 7,5 mil milhoes de euros podem construir-se:
- 1000 (mil) Escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que substituamas mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas existentes (a 2,5 milhoes de euros cada uma);
- mais 1.000 (mil) creches (a 1 milhao de euros cada uma);
- mais 1.000 (mil) centros de dia para os nossos idosos (a 1milhao de euros cada um).
E ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhoes de euros para aplicar em muitas outras carências como, por exemplo, na urgente reabilitaçao de toda a degradada rede viária secundária.
Cabe ao Governo reflectir.
Cabe à Oposiçao contrapor.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Doença mortal para anuros
Agência FAPESP – A dinâmica de uma doença mortal que tem dizimado populações de anfíbios por todo o mundo foi descrita em uma nova pesquisa, que foi publicada no site e em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
A pesquisa destaca que é a intensidade da infecção – isto é, a gravidade da doença entre indivíduos –, e não apenas a sua presença ou ausência, o que determina se populações de anuros sobreviverão ou sucumbirão à quitridiomicose, doença causada pelo fungo Batrachochytrium dendrobatidis.
Os pesquisadores conseguiram identificar um ponto perigoso na intensidade da infecção, além do qual a doença causa mortalidade e extinção em massa. Segundo eles, episódios seguidos de infecção fazem com que a doença atinja esse limite.
“Verificamos que a mortalidade em massa apenas ocorre quando a severidade da infecção atinge um limite crítico entre os indivíduos. Agora que sabemos qual é esse limite, que se trata de um número específico de esporos fúngicos por anuro, os trabalhos de conservação poderão ser capazes de salvar espécies suscetíveis ao prevenir que a doença atinja tal ponto”, disse Vance Vredenburg, professor da Universidade Estadual em São Francisco, nos Estados Unidos, um dos autores da pesquisa.
Inicialmente, Vredenburg e colegas rastrearam a invasão e a distribuição da quitridiomicose em rãs na Sierra Nevada, na Califórnia, durante um período de 13 anos, com foco especificamente em duas espécies de rãs, Rana muscosa e Rana sierrae.
O grupo verificou que a doença é particularmente destrutiva quando invade uma população que até então não estava exposta, de modo semelhante à epidemia de varíola que matou milhões de pessoas nos séculos 17 e 18.
“Quando a quitridiomicose atinge populações de hospedeiros pela primeira vez, ela se espalha tão rapidamente que os processos naturais costumeiros que fazem com que um patógeno não cause extinção não têm chance de entrar em ação”, disse Vredenburg.
“Estamos vivendo em uma época em que o movimento global de pessoas e de mercadorias está provavelmente espalhando essa doença para áreas em que ela não existia, interrompendo o equilíbrio natural entre o patógeno e seu hospedeiro”, apontou.
A quitridiomicose já promoveu o desaparecimento de mais de 200 espécies de anuros (sapos, rãs ou pererecas) e representa uma grande ameaça à biodiversidade dos vertebrados, destacam os autores.
O artigo Dynamics of an emerging disease drive large-scale amphibian population extinctions (doi/10.1073/pnas.0914111107), de Vance T. Vredenburg, e outros, poderá ser lido na Pnas em www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.0914111107.
A pesquisa destaca que é a intensidade da infecção – isto é, a gravidade da doença entre indivíduos –, e não apenas a sua presença ou ausência, o que determina se populações de anuros sobreviverão ou sucumbirão à quitridiomicose, doença causada pelo fungo Batrachochytrium dendrobatidis.
Os pesquisadores conseguiram identificar um ponto perigoso na intensidade da infecção, além do qual a doença causa mortalidade e extinção em massa. Segundo eles, episódios seguidos de infecção fazem com que a doença atinja esse limite.
“Verificamos que a mortalidade em massa apenas ocorre quando a severidade da infecção atinge um limite crítico entre os indivíduos. Agora que sabemos qual é esse limite, que se trata de um número específico de esporos fúngicos por anuro, os trabalhos de conservação poderão ser capazes de salvar espécies suscetíveis ao prevenir que a doença atinja tal ponto”, disse Vance Vredenburg, professor da Universidade Estadual em São Francisco, nos Estados Unidos, um dos autores da pesquisa.
Inicialmente, Vredenburg e colegas rastrearam a invasão e a distribuição da quitridiomicose em rãs na Sierra Nevada, na Califórnia, durante um período de 13 anos, com foco especificamente em duas espécies de rãs, Rana muscosa e Rana sierrae.
O grupo verificou que a doença é particularmente destrutiva quando invade uma população que até então não estava exposta, de modo semelhante à epidemia de varíola que matou milhões de pessoas nos séculos 17 e 18.
“Quando a quitridiomicose atinge populações de hospedeiros pela primeira vez, ela se espalha tão rapidamente que os processos naturais costumeiros que fazem com que um patógeno não cause extinção não têm chance de entrar em ação”, disse Vredenburg.
“Estamos vivendo em uma época em que o movimento global de pessoas e de mercadorias está provavelmente espalhando essa doença para áreas em que ela não existia, interrompendo o equilíbrio natural entre o patógeno e seu hospedeiro”, apontou.
A quitridiomicose já promoveu o desaparecimento de mais de 200 espécies de anuros (sapos, rãs ou pererecas) e representa uma grande ameaça à biodiversidade dos vertebrados, destacam os autores.
O artigo Dynamics of an emerging disease drive large-scale amphibian population extinctions (doi/10.1073/pnas.0914111107), de Vance T. Vredenburg, e outros, poderá ser lido na Pnas em www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.0914111107.
terça-feira, 18 de maio de 2010
O grande encontro
Belisque-me para ver se não estou sonhando! Foi assim que me senti quando escutei o CD presenteado por um amigo lusitano, no qual registrava o encontro de Vinicius de Morais e Amália Rodrigues, ocorrido em 19 de dezembro de 1978, na casa (em Lisboa) dessa magistral cantora portuguesa.
Numa “concertación” impecável, sufocada pela efervescência intelectual e musical, foi a marca desse grande encontro, que mostra aquele Vinicius detentor de uma inteligência privilegiada, de uma verve inesgotável, personalidade de “bom vivant” e de altíssimo astral; e a encantadora Amália, de voz cristalina, pessoalidade marcante, onde eleva o Fado (que a tornou famosa) à mais alta categoria artística.
Chuvas de palmas! Trovoadas de palmas! Quando o nosso poeta - acompanhado por excelentes instrumentistas da constelação da música popular portuguesa que já lhe aguardavam festivamente - começou a cantar “Para quê chorar”, em seguida declamou o poema “Monólogo de Orfeu” e depois “O dia da criação”. Naquela interativa conversa amorosa e fraterna, a pedido do próprio Vinicius, brilhantemente Amália conta “Gaivota” e outras canções memoráveis.
Como Vinicius sentenciou: “Viver é arte do encontro”. Dádiva dos deuses! Dádiva dos céus! É exagero? Não, quando se trata de dois monstros consagrados do mundo da música e da poesia. Com graça, com arte, com humor desconcertante eles foram cantando e recitando em voz alta, cada um ao seu estilo. Momentos de saudades: parafraseando Calderón de La Barca, a dizer que “a vida não só sonhos, são saudades também”.
Nesse bate-papo descontraído, o poetinha ria e fazia rir das dificuldades cotidianas dos portugueses, notadamente no que se refere ao formalizo, e pede para que “desengravatem!”. Ao mesmo tempo, enaltece-os: “... povo com tremendo anseio de viver, de aparecer, de reaparecer na história. Um povo que deu um poeta como Luís Camões, que todo cancioneiro português antigo o conhece tão bem e do qual eu me embebi, que sofri uma grande influência”.
Detalhe: fez-me comover quando ele disse que era um homem meio sem pátria e que sua pátria era a humanidade, completa, despedindo-se dessa trupe musical: “Vivam! Amem, amem-se! Rompam as tradições! Rompam os preconceitos! E aí eu tenho a impressão que cada um vai se tornar mais feliz”.
Esse jeito de gente boa e de filósofo malandro, com esteio na boemia criativa dos anos 60, fez com que a carreira diplomática fosse incompatível. Porém, em compensação, sua obra deixou marca nas cabeças de sua geração e das gerações vindouras. Virando símbolo, o máximo de excelência
A lição que extraio desse encontro (leia-se confluência cultural) é que nessa vida somos todos parecidos e ninguém vale mais, nem menos, um tostão. Não precisa melhorar, mudar ou tentar ser perfeito. Pelo contrário, apenas se aceite.
LINCOLN CARTAXO DE LIRA
Numa “concertación” impecável, sufocada pela efervescência intelectual e musical, foi a marca desse grande encontro, que mostra aquele Vinicius detentor de uma inteligência privilegiada, de uma verve inesgotável, personalidade de “bom vivant” e de altíssimo astral; e a encantadora Amália, de voz cristalina, pessoalidade marcante, onde eleva o Fado (que a tornou famosa) à mais alta categoria artística.
Chuvas de palmas! Trovoadas de palmas! Quando o nosso poeta - acompanhado por excelentes instrumentistas da constelação da música popular portuguesa que já lhe aguardavam festivamente - começou a cantar “Para quê chorar”, em seguida declamou o poema “Monólogo de Orfeu” e depois “O dia da criação”. Naquela interativa conversa amorosa e fraterna, a pedido do próprio Vinicius, brilhantemente Amália conta “Gaivota” e outras canções memoráveis.
Como Vinicius sentenciou: “Viver é arte do encontro”. Dádiva dos deuses! Dádiva dos céus! É exagero? Não, quando se trata de dois monstros consagrados do mundo da música e da poesia. Com graça, com arte, com humor desconcertante eles foram cantando e recitando em voz alta, cada um ao seu estilo. Momentos de saudades: parafraseando Calderón de La Barca, a dizer que “a vida não só sonhos, são saudades também”.
Nesse bate-papo descontraído, o poetinha ria e fazia rir das dificuldades cotidianas dos portugueses, notadamente no que se refere ao formalizo, e pede para que “desengravatem!”. Ao mesmo tempo, enaltece-os: “... povo com tremendo anseio de viver, de aparecer, de reaparecer na história. Um povo que deu um poeta como Luís Camões, que todo cancioneiro português antigo o conhece tão bem e do qual eu me embebi, que sofri uma grande influência”.
Detalhe: fez-me comover quando ele disse que era um homem meio sem pátria e que sua pátria era a humanidade, completa, despedindo-se dessa trupe musical: “Vivam! Amem, amem-se! Rompam as tradições! Rompam os preconceitos! E aí eu tenho a impressão que cada um vai se tornar mais feliz”.
Esse jeito de gente boa e de filósofo malandro, com esteio na boemia criativa dos anos 60, fez com que a carreira diplomática fosse incompatível. Porém, em compensação, sua obra deixou marca nas cabeças de sua geração e das gerações vindouras. Virando símbolo, o máximo de excelência
A lição que extraio desse encontro (leia-se confluência cultural) é que nessa vida somos todos parecidos e ninguém vale mais, nem menos, um tostão. Não precisa melhorar, mudar ou tentar ser perfeito. Pelo contrário, apenas se aceite.
LINCOLN CARTAXO DE LIRA
domingo, 16 de maio de 2010
Minha Ferrari
Estimados Amigos, do proprio autor recebi esta perola, que não posso deixar de divulgar.
Esclareço, de antemão, que não sou dono desse brinquedo chamado Ferrari, tampouco de algum outro próximo do glamour que representa essa indomável e bela máquina, a exemplo de marcas como mercedes, porsches, buggatis, lamborghinis e por aí vai.
Bonito, mas e daí? Sou mais o meu buggy da Fibravan, carinhosamente denominado de “minha ferrari”, discreto, não obstante sua cor avermelhada tradicional, inteiramente aprumado, uma jóia de raro brilho, que aguenta tudo, chega em alguns lugares que dificilmente tais luxuosos veículos conseguem, e com a vantagem de não correr risco de ser assaltado, seqüestrado ou coisa parecida.
Não há como tergiversar: ele consegue ser nostálgico, atual e ainda mantém um olho no futuro. E o som, nem se fala, tem àquela pegada romântica, estilo MPB, que fica na cabeça de quem ouve. Se não há hits de fácil deglutição, sobra ousadia na escolha do repertório.
Sou avesso aos que não conseguem ver o sucesso alheio sem sofrer as dores terríveis da inveja, do ciúme doentio, do despeito e da própria derrota. Por isso, feliz quem pode comprar a deslumbrante Ferrari 458 de 570 cavalos (no Brasil, com impostos, deve superar R$ 1,5 milhões), pena que ela deve ficar mais tempo dentro da garagem do que rodando, não só pela questão de segurança, como também pelo estado de nossas rodovias/ruas; uma vez que no primeiro buraco (cratera) não passa.
Recordo-me sempre de uma frase que ouvi e adoro: “Cuidado com seus desejos, eles podem se tornar realidade”. “Cacildis!”, como diria o saudoso trapalhão Mussum, não é que realizei este sonho de comprar o meu primeiro buggy, apesar a todos esconder esse segredo. Uma paixão, sim. Um vício que só me trouxe alegria ao tempo em que já possuí mais de cinco modelos diferentes.
Bem. Outro dia precisei fazer um pequeno reparo no seu pára-lama, fui orientado pela oficina para comprar o material numa loja especializada de tintas automotivas, onde o processo é feito de maneira computadorizada. Lá chegando, perguntei ao vendedor:
-Meu filho, você tem tinta vermelha para “minha ferrari”?
Sem titubear, respondeu-me:
-Claro, que sim! Agora, vai demorar um pouco senhor. Porque a cor é Fer-ra-ri!
-Tá bom, tá bom..., assim me manifestei.
Depois de um bom tempo com aqueles testes mirabolantes de fórmulas, o vendedor aprontou a tão propalada tinta, com ar de preocupação, e crente que eu fosse um afortunado da grana, veio o conselho para que procurasse um profissional qualificado para executar o serviço, pelo fato que se tratava de algo caro e idolatrado: “Ferrari!”.
Quando falei que o produto que acabara de comprar não era para uma Ferrari, e sim, para o meu estimado buggy, ele ficou surpreso e ao mesmo tempo satirizado. É pouco? Não acho. Então, meu amigo, mergulhe-se na vida, lambuze-se no amor e voe em seus sonhos de consumo para que um dia você possa ter uma “Ferrari” igual a minha.
LINCOLN CARTAXO DE LIRA
Esclareço, de antemão, que não sou dono desse brinquedo chamado Ferrari, tampouco de algum outro próximo do glamour que representa essa indomável e bela máquina, a exemplo de marcas como mercedes, porsches, buggatis, lamborghinis e por aí vai.
Bonito, mas e daí? Sou mais o meu buggy da Fibravan, carinhosamente denominado de “minha ferrari”, discreto, não obstante sua cor avermelhada tradicional, inteiramente aprumado, uma jóia de raro brilho, que aguenta tudo, chega em alguns lugares que dificilmente tais luxuosos veículos conseguem, e com a vantagem de não correr risco de ser assaltado, seqüestrado ou coisa parecida.
Não há como tergiversar: ele consegue ser nostálgico, atual e ainda mantém um olho no futuro. E o som, nem se fala, tem àquela pegada romântica, estilo MPB, que fica na cabeça de quem ouve. Se não há hits de fácil deglutição, sobra ousadia na escolha do repertório.
Sou avesso aos que não conseguem ver o sucesso alheio sem sofrer as dores terríveis da inveja, do ciúme doentio, do despeito e da própria derrota. Por isso, feliz quem pode comprar a deslumbrante Ferrari 458 de 570 cavalos (no Brasil, com impostos, deve superar R$ 1,5 milhões), pena que ela deve ficar mais tempo dentro da garagem do que rodando, não só pela questão de segurança, como também pelo estado de nossas rodovias/ruas; uma vez que no primeiro buraco (cratera) não passa.
Recordo-me sempre de uma frase que ouvi e adoro: “Cuidado com seus desejos, eles podem se tornar realidade”. “Cacildis!”, como diria o saudoso trapalhão Mussum, não é que realizei este sonho de comprar o meu primeiro buggy, apesar a todos esconder esse segredo. Uma paixão, sim. Um vício que só me trouxe alegria ao tempo em que já possuí mais de cinco modelos diferentes.
Bem. Outro dia precisei fazer um pequeno reparo no seu pára-lama, fui orientado pela oficina para comprar o material numa loja especializada de tintas automotivas, onde o processo é feito de maneira computadorizada. Lá chegando, perguntei ao vendedor:
-Meu filho, você tem tinta vermelha para “minha ferrari”?
Sem titubear, respondeu-me:
-Claro, que sim! Agora, vai demorar um pouco senhor. Porque a cor é Fer-ra-ri!
-Tá bom, tá bom..., assim me manifestei.
Depois de um bom tempo com aqueles testes mirabolantes de fórmulas, o vendedor aprontou a tão propalada tinta, com ar de preocupação, e crente que eu fosse um afortunado da grana, veio o conselho para que procurasse um profissional qualificado para executar o serviço, pelo fato que se tratava de algo caro e idolatrado: “Ferrari!”.
Quando falei que o produto que acabara de comprar não era para uma Ferrari, e sim, para o meu estimado buggy, ele ficou surpreso e ao mesmo tempo satirizado. É pouco? Não acho. Então, meu amigo, mergulhe-se na vida, lambuze-se no amor e voe em seus sonhos de consumo para que um dia você possa ter uma “Ferrari” igual a minha.
LINCOLN CARTAXO DE LIRA
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