As mil e uma maneiras de transformar o jornalismo num autentico pântano cheio de esterco informativo e inconseqüente, e comprometido com os grandes grupos econômicos, e a política que gosta de comprar resultados em vez de os conquistar na lealdade da luta, do corpo a corpo político...
Em Portugal, no ano de 2008, século XXI, passados 34 anos da revolução que teve como uma das suas maiores bandeiras; a defesa da liberdade também na comunicação social esta a viver-se um momento muito negativo, especial, e triste, ao nível dessa mesma comunicação social. Depois de uma imensa marretada na legislação que defendia e; para além dos óbvios deveres dava também direitos aos profissionais de exercerem com total liberdade e dignidade a sua profissão, é agora cada vez mais visível um inegável atentado á liberdade de expressão dos jornalistas, uma vez que; a maioria dos: órgãos de comunicação social estão na mão de fortes grupos econômicos, que; vigiam, censuram e deturpam; de forma descarada, a saída de noticias que possam de alguma forma prejudicar os seus jogos sociais de bastidores, e, sobretudo; financeiros, e tudo isto de um modo felino, que corta a mais elementar liberdade de pensar e a independência que deveria nortear a profissão de jornalista. Uma velha e muito nobre arte que se efetivada em termos de cidadania, independência e rigor, serve simplesmente para divulgar a verdade.
Agora o que estava muito longe do meu pensamento, é que fosse possível para além da censura, criar factos, ou deturpar realidades inequívocas, para satisfazer grupos de pressão, que podem inclusivamente chegar ao ponto de tentar manipular, através da comunicação social, resultados eleitorais, e as decisões das próprias Comissões Eleitorais.
Chegou á minha mão, ontem mesmo, este lamento que anexo e divulgo pela sua importância na integra, do meu bom e velho amigo Nuno Rebocho, Jornalista que de uma forma digna, voluntariosa e poderei mesmo dizer triunfante, trabalha neste momento em terras de Cabo Verde.
Aquilo que me fez chegar, e que vos reproduzo, com a devida vênia, a ele próprio, Nuno Rebocho, autor, é algo que me deixa perplexo e deveras preocupado, com os; limites que estão a ser largamente ultrapassados. Ainda por cima, uma situação vivida pela RDP-Africa, uma instituição que devia mais do que muitas outras, pugnar por um total rigor e isenção, o que como se pode comprovar, de forma alguma aconteceu, nesta lamentável situação.
Será que o gestor governamental não terá um pingo de vergonha, de autorizar ou permitir, que a entidade que dirige, se sujeite a estas tristes figuras, ainda por cima em País ex-colônia nacional, e para a qual Portugal tem responsabilidades acrescidas?
Exigia-se um pouco mais de verdade, dignidade; isenção; e verticalidade, entre outros adjetivos, para que se pudesse cumprir na integram a função de total imparcialidade e máximo rigor, o que não faria mal nenhum, antes pelo contrário, e poderiam assim manter o bom nome da RDP-Africa; fora da lama... e do pântano onde chafurda tanta dita comunicação social que reputo de autentico “Esterco Nacional”, para não ter que lhe chamar em português corrente e correto; uma comunicação social de merda!!!
João Massapina
Eis o que me fez chegar Nuno Rebocho:
Estou triste, zangado, indignado, irritado, enojado. Aqui em Cabo Verde as pessoas olham para mim como se eu tivesse culpa do envolvimento da RDP-África numa jogada de miserável contra-informação que poderiam ter conseqüências gravíssimas para este país. E eu, ex-RDP, com a camisola RDP, sinto-me revoltado e honestamente penso no que fazer. O que se passou? A RDP-África deu a notícia de que as eleições em Santa Catarina de Santiago iam ser anuladas por existência de discrepância de números no escrutínio!!! Fonte de informação? Uma única: a Semana!!! Verdade dos factos? Zero de zero! Foi uma reles manobra de contra-informação, que passou por uma tentativa de assalto à Câmara de Santa Catarina, abortada por intervenção policial, com a injecção de dados falsos no site da Comissão Nacional de Eleições, tudo travado a tempo e horas, tudo identificado pela Polícia, tudo desmontado pela Procuradoria da Justiça, todos os protagonistas conhecidos e identificados pela polícia, tudo agora a seguir para as instâncias criminais. Acontece que a Semana, de que é sócio o primeiro ministro José Maria Neves, não sabia que a conspiração abortara e que dois irmãos de JMN (um deles com processo em tribunal por vigarização de emigrantes e falsificação de documentos e pedido de extradição feito pelo Brasil por envolvimento em tráfico de drogas – o julgamento esteve marcado para dia 12 e adiado porque Sua Excelência era candidato a vereador nas listas PAICV!!!) estavam implicados na golpaça. Tudo aconteceu na madrugada. A Semana foi apanhada na curva. E a RDP-África amplificou a jogada. Enfim, uma vergonha. Maior vergonha ainda: apesar de hoje tudo ser conhecido, tudo estar desmontado, a RDP-África ainda não repôs a verdade, ainda não deu o dito por não dito.
O que pretendia o PAICV? A anulação das eleições, que perdeu na Assomada, a terceira maior Câmara do país. Perdeu apesar de andar aos tiros (Matos Gêjé), ameaçar tudo e todos e outras tropelias. Perdeu como perdeu a Praia e Mindelo, e 12 das 22 Câmaras de Cabo Verde. A RDP-África uma vez mais surgiu como instrumento de poderes locais contra os próprios países e no total desrespeito pelos povos e pelo desrespeito do próprio interesse do povo português que a paga com as taxas… e ao serviço de um interesse conjuntural de um poder conjuntural, que nada paga (a não ser que haja quem na RDP-África tenha benesses do conjuntural Governo de Cabo Verde).
Sinto-me na necessidade de denunciar isto junto dos meus ex-companheiros de trabalho. De o denunciar junto de quem em Portugal possa ter voz. Tenho até à data travado protestos em Cabo Verde contra o infeliz trabalho da RDP-África. Mas mais uma miserável vergonha como esta e juro-vos que serei eu, ex-RDP, a estar na primeira linha de protesto e contestação contra a utilização da RDP-África por interesses não jornalísticos, violadores das regras democráticas, contrários à vontade dos povos e ao interesse do povo português que afinal o sustenta.
Tenham juízo e tenham vergonha
Nuno Rebocho
quarta-feira, 28 de maio de 2008
O REFERENDO NECESSÁRIO
Vivi; vários anos no Concelho do Barreiro. Como ‘Camarro’ adotivo, vivi ali a minha juventude, fui estudante, dirigente associativo ao nível estudantil, jornalista local, político ativo e até autarca na Assembléia Municipal, daquela importante urbe da margem Sul do Tejo, e não posso esconder que nutro alguma afeição e carinho tanto pela terra como pelas suas gentes batalhadoras, democráticas e determinadas. Também assumo que não sou saudosista em relação ao passado, mas que sou intransigentemente respeitador da história e das tradições.
Por todas estas linhas razão é que hoje vejo com alguma preocupação a atualidade do destino de um dos maiores símbolos daquela ordeira terra – Alfredo da Silva – e a sua imagem retratada numa estatua, que pode até ter-se alguma legitima razão em termos estéticos de alguns não gostarem, uma vez que até parece que o ilustre industrial esta a tratar de manusear as suas partes baixas, mas que na verdade retrata uma das figuras mais importantes da industria nacional, e particular responsável do Barreiro para atingir os níveis de desenvolvimento que hoje tem.
Chegados ao ano de 2008, do século XXI, a atual gestão municipal decidiu, e muito bem, dar um novo impulso á urbe. Agora o que os atuais gestores autárquicos jamais podem querer é mudar a história, para a reescrever da forma que melhor lhes convier politicamente. Não foi Álvaro Cunhal, ou outro qualquer militante ou ativista oposicionista do antigo regime que fez o Barreiro tornar-se mal ou bem aquilo que é hoje.
Foi Alfredo da Silva um empreendedor que, como tinha condições financeiras apostou em implantar no Barreiro um espaço industrial que chegou a ser um dos maiores e mais da Europa, e o maior da Península Ibérica.
A discussão publica sobre a recolocação da estatua Alfredo da Silva após as obras de modernização do novo mercado deveria merecer uma decisão bem mais populista e democrática que política.
Urge pela sua importância, realizar no Barreiro, um referendo local. Para que dessa forma a população decida entre umas 4 ou 5 propostas de localização, aonde deve ficar futuramente a estatua da destacada figura implantada.
E tal como; não sou saudosista, também assumo que sou realista, e jamais pude entender porque razão o parque situado no centro da cidade, paredes meias, com o local onde estava implantada a estatua, tinha sido rebatizado com o nome de Catarina Eufemia, no quente período pós-revolucionário. Nunca o entendi uma vez que a personagem morta num confronto com a Guarda Nacional Republicana na localidade de Baleizão, próximo de Beja, acho até que nunca colocou um pé na cidade do Barreiro, nem perto disso, e somente um dos seus filhos foi por aqui empregado na área comercial, num dos cafés da cidade.
Nomear aquela nobre zona, e parque, com o nome dela, foi quase o mesmo que ter dado o nome do primeiro homem que colocou um pé no solo lunar, pois que tirando esse feito, nada mais o liga ao Barreiro.
A história vale o que vale, ou seja; vale tudo. E se Catarina Eufemia, nada tem que ver, fisicamente, com o Barreiro, já diretamente Alfredo da Silva tem tudo que ver com a cidade e o Concelho.
Tem sido curiosa a postura dos autarcas ao longo dos tempos em termos de toponímica. Veja-se que homens como o Mestre Manuel Cabanas, são; renegados para umas ruas em zona limítrofes, e outros, salvo erro meu por falta de atualização com a toponímica local, nem nome recebem como são exemplos os grandes jornalistas Alfredo Zarcos, um dos decanos da imprensa no Barreiro, ou Manuel Joaquim Vaz, que além de jornalista foi dramaturco, ou o jornalista Leonidio Martins. Isto entre muitas outras figuras, como a actriz e cantora Mariete Pessanha, que deixaram a historia da sua vida perpetuada para o futuro, com obra e defesa da cidade e da região.
Defender a presença dos que não são da terra, ou a ela nada deram diretamente, em contraponto com símbolos, é uma tristeza e vergonha para a história e para as gerações vindouras.
Tenho lido com particular atenção algumas avalizadas opiniões, como a do meu bom amigo Dr. Jorge Fagundes, ou da Drª Ana Teresa Xavier, que me deixam um pouco mais tranqüilo na defesa da dignidade da figura de Alfredo da Silva. Espero que outras. Muitas outras se lhes juntem e que devido á pluralidade, seja possível auscultar a opinião dos cidadãos anônimos recenseados no Concelho, para que Alfredo da Silva possa ter a sua figura salvaguardada, e que a história não seja destruída como uma simples pedra de gelo que derrete devido ao calor e a erosão do tempo...
Podem ainda perguntar: Mas afinal ele quer a imagem defendida, mas não apresenta nenhuma; proposta concreta para o destino futuro da estatua. Pois eu tenho sim uma idéia concreta de que a estatua deveria ser recolocada em local próximo ao que se encontra hoje, embora com as devidas alterações do espaço envolvente, que obviamente não vão caber no novo local. Ou então, que devido á nova centralidade que o Barreiro esta a ganhar junto ao novo Fórum, ali deveria ficar a perpetuar a sua importância para o Barreiro do passado, do presente e do futuro.
Apoio incondicionalmente a idéia do Dr. Jorge Fagundes, pois que local mais nobre se pode encontrar do que na nova rotunda, no cruzamento da Rua Stara Zagora com a Rua Dr. Manuel Mello, e prolongamento da Avenida Alfredo da Silva, acho até que deveria ser uma das propostas a colocar nas respostas possíveis do referendo a realizar junto da população.
Quero deixar ainda no ar uma idéia que á primeira vista pode parecer patética, mas que se bem desenvolvida por professores e educadores, pode ser muito importante. Assim; as escolas do ensino básico, bem como preparatórias e secundárias, e o próprio superior sediado no Barreiro, deveriam pensar seriamente em levar a efeito no próximo ano lectivo, uma ação de divulgação do nome e obra de Alfredo da Silva. E, inclusivamente, porque não; no final do ano, as diversas Associações de Estudantes, em interligação com os Conselhos Diretivos e os responsáveis autárquicos locais; levassem a efeito um mini-referendo apurando a opinião dos estudantes do Concelho, tanto sobre a importância da figura de Alfredo da Silva, como da própria futura localização da sua estatua, e quem sabe esse resultado não pudesse contar em certa medida na decisão final, dando assim voz aos jovens, ás gerações do presente e futuro próximo.
O Barreiro sempre foi uma terra de futuro. E o futuro começa sempre a construir-se no presente.
Nada melhor do que um referendo,para dar voz a todas as gerações, sobre um assunto que muito mais do que político, é sem duvida alguma uma questão cultural.
João Massapina
Por todas estas linhas razão é que hoje vejo com alguma preocupação a atualidade do destino de um dos maiores símbolos daquela ordeira terra – Alfredo da Silva – e a sua imagem retratada numa estatua, que pode até ter-se alguma legitima razão em termos estéticos de alguns não gostarem, uma vez que até parece que o ilustre industrial esta a tratar de manusear as suas partes baixas, mas que na verdade retrata uma das figuras mais importantes da industria nacional, e particular responsável do Barreiro para atingir os níveis de desenvolvimento que hoje tem.
Chegados ao ano de 2008, do século XXI, a atual gestão municipal decidiu, e muito bem, dar um novo impulso á urbe. Agora o que os atuais gestores autárquicos jamais podem querer é mudar a história, para a reescrever da forma que melhor lhes convier politicamente. Não foi Álvaro Cunhal, ou outro qualquer militante ou ativista oposicionista do antigo regime que fez o Barreiro tornar-se mal ou bem aquilo que é hoje.
Foi Alfredo da Silva um empreendedor que, como tinha condições financeiras apostou em implantar no Barreiro um espaço industrial que chegou a ser um dos maiores e mais da Europa, e o maior da Península Ibérica.
A discussão publica sobre a recolocação da estatua Alfredo da Silva após as obras de modernização do novo mercado deveria merecer uma decisão bem mais populista e democrática que política.
Urge pela sua importância, realizar no Barreiro, um referendo local. Para que dessa forma a população decida entre umas 4 ou 5 propostas de localização, aonde deve ficar futuramente a estatua da destacada figura implantada.
E tal como; não sou saudosista, também assumo que sou realista, e jamais pude entender porque razão o parque situado no centro da cidade, paredes meias, com o local onde estava implantada a estatua, tinha sido rebatizado com o nome de Catarina Eufemia, no quente período pós-revolucionário. Nunca o entendi uma vez que a personagem morta num confronto com a Guarda Nacional Republicana na localidade de Baleizão, próximo de Beja, acho até que nunca colocou um pé na cidade do Barreiro, nem perto disso, e somente um dos seus filhos foi por aqui empregado na área comercial, num dos cafés da cidade.
Nomear aquela nobre zona, e parque, com o nome dela, foi quase o mesmo que ter dado o nome do primeiro homem que colocou um pé no solo lunar, pois que tirando esse feito, nada mais o liga ao Barreiro.
A história vale o que vale, ou seja; vale tudo. E se Catarina Eufemia, nada tem que ver, fisicamente, com o Barreiro, já diretamente Alfredo da Silva tem tudo que ver com a cidade e o Concelho.
Tem sido curiosa a postura dos autarcas ao longo dos tempos em termos de toponímica. Veja-se que homens como o Mestre Manuel Cabanas, são; renegados para umas ruas em zona limítrofes, e outros, salvo erro meu por falta de atualização com a toponímica local, nem nome recebem como são exemplos os grandes jornalistas Alfredo Zarcos, um dos decanos da imprensa no Barreiro, ou Manuel Joaquim Vaz, que além de jornalista foi dramaturco, ou o jornalista Leonidio Martins. Isto entre muitas outras figuras, como a actriz e cantora Mariete Pessanha, que deixaram a historia da sua vida perpetuada para o futuro, com obra e defesa da cidade e da região.
Defender a presença dos que não são da terra, ou a ela nada deram diretamente, em contraponto com símbolos, é uma tristeza e vergonha para a história e para as gerações vindouras.
Tenho lido com particular atenção algumas avalizadas opiniões, como a do meu bom amigo Dr. Jorge Fagundes, ou da Drª Ana Teresa Xavier, que me deixam um pouco mais tranqüilo na defesa da dignidade da figura de Alfredo da Silva. Espero que outras. Muitas outras se lhes juntem e que devido á pluralidade, seja possível auscultar a opinião dos cidadãos anônimos recenseados no Concelho, para que Alfredo da Silva possa ter a sua figura salvaguardada, e que a história não seja destruída como uma simples pedra de gelo que derrete devido ao calor e a erosão do tempo...
Podem ainda perguntar: Mas afinal ele quer a imagem defendida, mas não apresenta nenhuma; proposta concreta para o destino futuro da estatua. Pois eu tenho sim uma idéia concreta de que a estatua deveria ser recolocada em local próximo ao que se encontra hoje, embora com as devidas alterações do espaço envolvente, que obviamente não vão caber no novo local. Ou então, que devido á nova centralidade que o Barreiro esta a ganhar junto ao novo Fórum, ali deveria ficar a perpetuar a sua importância para o Barreiro do passado, do presente e do futuro.
Apoio incondicionalmente a idéia do Dr. Jorge Fagundes, pois que local mais nobre se pode encontrar do que na nova rotunda, no cruzamento da Rua Stara Zagora com a Rua Dr. Manuel Mello, e prolongamento da Avenida Alfredo da Silva, acho até que deveria ser uma das propostas a colocar nas respostas possíveis do referendo a realizar junto da população.
Quero deixar ainda no ar uma idéia que á primeira vista pode parecer patética, mas que se bem desenvolvida por professores e educadores, pode ser muito importante. Assim; as escolas do ensino básico, bem como preparatórias e secundárias, e o próprio superior sediado no Barreiro, deveriam pensar seriamente em levar a efeito no próximo ano lectivo, uma ação de divulgação do nome e obra de Alfredo da Silva. E, inclusivamente, porque não; no final do ano, as diversas Associações de Estudantes, em interligação com os Conselhos Diretivos e os responsáveis autárquicos locais; levassem a efeito um mini-referendo apurando a opinião dos estudantes do Concelho, tanto sobre a importância da figura de Alfredo da Silva, como da própria futura localização da sua estatua, e quem sabe esse resultado não pudesse contar em certa medida na decisão final, dando assim voz aos jovens, ás gerações do presente e futuro próximo.
O Barreiro sempre foi uma terra de futuro. E o futuro começa sempre a construir-se no presente.
Nada melhor do que um referendo,para dar voz a todas as gerações, sobre um assunto que muito mais do que político, é sem duvida alguma uma questão cultural.
João Massapina
A ANEDOTA em que se transformou o País do Sócrates:
-Uma adolescente de 16 anos pode fazer livremente um aborto mas não pode pôr um piercing.
-Um cônjuge para se divorciar, basta pedir.
-Um empregador para despedir um trabalhador que o agrediu precisa de
uma sentença judicial que demora 5 anos a sair.
-Na escola um professor é agredido por um aluno. O professor nada pode fazer, porque a sua progressão na carreira está dependente da nota que dá ao seu aluno.
-Um jovem de 18 anos recebe €200 do Estado para não trabalhar; um idoso recebe de reforma €236 depois de toda uma vida do trabalho.
-Um marido oferece um anel à sua mulher e tem de declarar a doação ao fisco.
-O mesmo fisco penhora indevidamente o salário de um trabalhador e demora 3 anos a corrigir o erro.
-O Estado que queria gastar 6 mil milhões de euros no novo Aeroporto da Ota recusa-se a baixar impostos porque não tem dinheiro.
-Nas zonas mais problemáticas das áreas urbanas existe 1 polícia para cada 2 000 habitantes; o Governo diz que não precisa de mais polícias.
-Numa empreitada pública, os trabalhadores são todos imigrantes ilegais, que recebem abaixo do salário mínimo e o Estado não fiscaliza.
-Num café, o proprietário vê o seu estabelecimento ser encerrado só porque não tinha uma placa a dizer que é proibido fumar.
-Um cão ataca uma criança e o Governo diz que vai fazer uma lei.
-Um professor é sovado por um aluno e o Governo diz que a culpa á das causas sociais.
-O IVA de um preservativo é 5%. O IVA de uma cadeirinha de automóvel, obrigatória para quem tem filhos até aos 12 anos, assim como o das fraldas descartáveis, é 21%.
-Numa entrevista à televisão, o Primeiro-Ministro define a Política como 'A Arte de aprender a viver com a decepção'.
-Um polícia bate num negro é uma atitude racista, um bando de negros mata 3 polícias: não estão inseridos na sociedade.
- Um presidente de um clube de futebol, fala com o árbitro para
favorecer a sua equipa, esta mesmo desce de divisão, se lhe der dinheiro são subtraídos 6 pontos.
- Um clube inscreve um jogador mal, são-lhe retirados 6 pontos, um clube suborna um arbitro são-lhe retirados 6 pontos.
- O café da esquina fechou porque não tinha WC para homens, mulheres e empregados; no Fórum Montijo a WC da Pizza Hut fica a 100mts, nem tem local para lavar mãos.
- O governo incentiva as pessoas a procurarem energias alternativas ao petróleo e depois multa quem coloca óleo vegetal nos carros porque não paga ISP (Imposto sobre produtos petrolíferos).
- O ministério do ambiente incentiva o uso de meios alternativos ao combustível; no edifício do ministério do ambiente não há estacionamento para bicicletas, nem se sabe de nenhum ministro que utilize a bicicleta.
- Nas prisões são distribuídas gratuitamente seringas por causa do HIV, mas como entra droga nas prisões?
- No exame final de 12º ano és apanhado a copiar e chumbas o ano; o primeiro-ministro fez o exame de inglês técnico em casa e mandou por fax e é engenheiro.
- A inflação para ter os valores que tem, é baseada em que produtos?
Eis a lista:
ÁGUA DE MARIALVA,
MARGARINA MARIA INÊS,
PÃO DE TRIGO DAS BERLENGAS,
SAL PURIFICADO DAS ILHAS SELVAGENS,
COUVE DA AMARELEJA,
FEIJÃO BANHA,
CARNE DE SUÍNO ISRAELITA,
LEITE DE LAMA,
AZEITE IMPORTADO DO SURINAME,
BANANAS DA ISLÂNDIA,
FRALDAS DESCARTÁVEIS PARA ADULTOS COM 2,15 MTS,
PASSE SOCIAL ENTRE AS ILHAS SELVAGENS,
CARNE DE DINOSSAURO,
PEIXE RARO,
CAMARÃO DE TROMBA ARREGAÇADA,
CHOCOS COM TINTA TRANSPARENTE,
ALHOS DO SRILANKA,
AZEITONAS DA GUATEMALA,
LIMÕES DO SARA OCIDENTAL,
ARROZ DA JORDÂNIA,
CARACÓIS DA MONGÓLIA,
TOMATES DE LILLIPUT
E
SABÃO MERCURIAL DA ETIÓPIA.
Com estes produtos e a sua variação anual se fixa a taxa de inflação em Portugal de 2,1%
- Um jovem de 14 anos mata um adulto, não tem idade para ir a tribunal; um jovem de 15 leva uma chapada do pai, por ter roubado dinheiro para droga, e é violência doméstica.
- Uma família a quem uma casa ruiu e não tem dinheiro para comprar outra, o estado não tem dinheiro para fazer uma nova, tendo de viver conforme pode; 6 presos que mataram e violaram idosos numa cela de 4 e sem WC privado, não estão a viver condignamente e a associação de direitos humanos faz queixa ao tribunal europeu.
- Militares que combateram em África a mando do governo da época não vêem reconhecida nenhuma causa nem direito de guerra; o primeiro-ministro elogia as tropas que estão em defesa da pátria no KOSOVO, AFEGANISTÃO e IRAQUE.
- Começas a descontar em Janeiro o IRS e só vais receber o excesso em Agosto do ano que vem; não pagas às finanças a tempo e horas e passado um dia já estas a pagar juros.
- Fechas a janela da tua varanda e estás a fazer uma obra ilegal; constrói-se um bairro de lata e ninguém vê.
- Se o teu filho não tem cabeça para a escola e com 14 anos pões a trabalhar contigo num oficio respeitável, é exploração do trabalho infantil, se és artista e o teu filho com 7 anos participa em gravações de telenovelas 8 horas por dia ou mais a criança tem muito talento, sai ao pai ou à mãe.
- O primeiro-ministro diz que o serviço de saúde com as medidas tomadas está mais prático e eficiente; não há registo de na última década alguém ter visto, ministro, esposa ou enteados nos SAP´s.
FIM
Assim vai o País real.
JÁ AGORA: O SR 1º MINISTRO TEVE DE IR AO HOSPITAL DE S.JOÃO, ALGUÉM ME SABE DIZER SE PASSOU PELA TRIAGEM, PAGOU TAXA MODERADORA?,..
ESTEVE À ESPERA DA SUA VEZ? TENHO CURIOSIDADE EM SABER……….
Nota: Recebi esta perola, do meu grande amigo Nuno Miguel Salgueiro Silvestre, ex-Deputado da nação. Não sei de quem é a sua autoria, mas uma coisa eu sei; não podia deixar de divulgar, pois merece a pena a reflexão, com a devida vênia ao autor e ao remetente da mesma, que quem sabe não seja o mesmo.
João Massapina
-Um cônjuge para se divorciar, basta pedir.
-Um empregador para despedir um trabalhador que o agrediu precisa de
uma sentença judicial que demora 5 anos a sair.
-Na escola um professor é agredido por um aluno. O professor nada pode fazer, porque a sua progressão na carreira está dependente da nota que dá ao seu aluno.
-Um jovem de 18 anos recebe €200 do Estado para não trabalhar; um idoso recebe de reforma €236 depois de toda uma vida do trabalho.
-Um marido oferece um anel à sua mulher e tem de declarar a doação ao fisco.
-O mesmo fisco penhora indevidamente o salário de um trabalhador e demora 3 anos a corrigir o erro.
-O Estado que queria gastar 6 mil milhões de euros no novo Aeroporto da Ota recusa-se a baixar impostos porque não tem dinheiro.
-Nas zonas mais problemáticas das áreas urbanas existe 1 polícia para cada 2 000 habitantes; o Governo diz que não precisa de mais polícias.
-Numa empreitada pública, os trabalhadores são todos imigrantes ilegais, que recebem abaixo do salário mínimo e o Estado não fiscaliza.
-Num café, o proprietário vê o seu estabelecimento ser encerrado só porque não tinha uma placa a dizer que é proibido fumar.
-Um cão ataca uma criança e o Governo diz que vai fazer uma lei.
-Um professor é sovado por um aluno e o Governo diz que a culpa á das causas sociais.
-O IVA de um preservativo é 5%. O IVA de uma cadeirinha de automóvel, obrigatória para quem tem filhos até aos 12 anos, assim como o das fraldas descartáveis, é 21%.
-Numa entrevista à televisão, o Primeiro-Ministro define a Política como 'A Arte de aprender a viver com a decepção'.
-Um polícia bate num negro é uma atitude racista, um bando de negros mata 3 polícias: não estão inseridos na sociedade.
- Um presidente de um clube de futebol, fala com o árbitro para
favorecer a sua equipa, esta mesmo desce de divisão, se lhe der dinheiro são subtraídos 6 pontos.
- Um clube inscreve um jogador mal, são-lhe retirados 6 pontos, um clube suborna um arbitro são-lhe retirados 6 pontos.
- O café da esquina fechou porque não tinha WC para homens, mulheres e empregados; no Fórum Montijo a WC da Pizza Hut fica a 100mts, nem tem local para lavar mãos.
- O governo incentiva as pessoas a procurarem energias alternativas ao petróleo e depois multa quem coloca óleo vegetal nos carros porque não paga ISP (Imposto sobre produtos petrolíferos).
- O ministério do ambiente incentiva o uso de meios alternativos ao combustível; no edifício do ministério do ambiente não há estacionamento para bicicletas, nem se sabe de nenhum ministro que utilize a bicicleta.
- Nas prisões são distribuídas gratuitamente seringas por causa do HIV, mas como entra droga nas prisões?
- No exame final de 12º ano és apanhado a copiar e chumbas o ano; o primeiro-ministro fez o exame de inglês técnico em casa e mandou por fax e é engenheiro.
- A inflação para ter os valores que tem, é baseada em que produtos?
Eis a lista:
ÁGUA DE MARIALVA,
MARGARINA MARIA INÊS,
PÃO DE TRIGO DAS BERLENGAS,
SAL PURIFICADO DAS ILHAS SELVAGENS,
COUVE DA AMARELEJA,
FEIJÃO BANHA,
CARNE DE SUÍNO ISRAELITA,
LEITE DE LAMA,
AZEITE IMPORTADO DO SURINAME,
BANANAS DA ISLÂNDIA,
FRALDAS DESCARTÁVEIS PARA ADULTOS COM 2,15 MTS,
PASSE SOCIAL ENTRE AS ILHAS SELVAGENS,
CARNE DE DINOSSAURO,
PEIXE RARO,
CAMARÃO DE TROMBA ARREGAÇADA,
CHOCOS COM TINTA TRANSPARENTE,
ALHOS DO SRILANKA,
AZEITONAS DA GUATEMALA,
LIMÕES DO SARA OCIDENTAL,
ARROZ DA JORDÂNIA,
CARACÓIS DA MONGÓLIA,
TOMATES DE LILLIPUT
E
SABÃO MERCURIAL DA ETIÓPIA.
Com estes produtos e a sua variação anual se fixa a taxa de inflação em Portugal de 2,1%
- Um jovem de 14 anos mata um adulto, não tem idade para ir a tribunal; um jovem de 15 leva uma chapada do pai, por ter roubado dinheiro para droga, e é violência doméstica.
- Uma família a quem uma casa ruiu e não tem dinheiro para comprar outra, o estado não tem dinheiro para fazer uma nova, tendo de viver conforme pode; 6 presos que mataram e violaram idosos numa cela de 4 e sem WC privado, não estão a viver condignamente e a associação de direitos humanos faz queixa ao tribunal europeu.
- Militares que combateram em África a mando do governo da época não vêem reconhecida nenhuma causa nem direito de guerra; o primeiro-ministro elogia as tropas que estão em defesa da pátria no KOSOVO, AFEGANISTÃO e IRAQUE.
- Começas a descontar em Janeiro o IRS e só vais receber o excesso em Agosto do ano que vem; não pagas às finanças a tempo e horas e passado um dia já estas a pagar juros.
- Fechas a janela da tua varanda e estás a fazer uma obra ilegal; constrói-se um bairro de lata e ninguém vê.
- Se o teu filho não tem cabeça para a escola e com 14 anos pões a trabalhar contigo num oficio respeitável, é exploração do trabalho infantil, se és artista e o teu filho com 7 anos participa em gravações de telenovelas 8 horas por dia ou mais a criança tem muito talento, sai ao pai ou à mãe.
- O primeiro-ministro diz que o serviço de saúde com as medidas tomadas está mais prático e eficiente; não há registo de na última década alguém ter visto, ministro, esposa ou enteados nos SAP´s.
FIM
Assim vai o País real.
JÁ AGORA: O SR 1º MINISTRO TEVE DE IR AO HOSPITAL DE S.JOÃO, ALGUÉM ME SABE DIZER SE PASSOU PELA TRIAGEM, PAGOU TAXA MODERADORA?,..
ESTEVE À ESPERA DA SUA VEZ? TENHO CURIOSIDADE EM SABER……….
Nota: Recebi esta perola, do meu grande amigo Nuno Miguel Salgueiro Silvestre, ex-Deputado da nação. Não sei de quem é a sua autoria, mas uma coisa eu sei; não podia deixar de divulgar, pois merece a pena a reflexão, com a devida vênia ao autor e ao remetente da mesma, que quem sabe não seja o mesmo.
João Massapina
E se Sócrates fosse do PSD?
Entre a maioria dos empresários afetos ao PSD circula hoje a idéia de que não faz mal o Governo ser do PS – porque Sócrates está a fazer exatamente as mesmas reformas que o PSD faria.
Em todas as áreas.
No que respeita à Saúde, o que faria o PSD de diferente?
Não é verdade que destacadas figuras social-democratas, como Manuela Ferreira Leite ou António Borges, defenderam o rumo traçado por Correia de Campos, como o encerramento de urgências e de outros serviços, e a sua concentração em unidades maiores?
E quanto à Educação?
Não é verdade que o PSD defendia há muito tempo a avaliação dos professores, além de outras medidas como a substituição dos Conselhos Diretivos por diretores?
E quanto às leis laborais?
Não está Sócrates a prosseguir as reformas iniciadas por Bagão Félix?
A grande diferença – que alguns empresários ainda não perceberam – é que o PS pode fazer estas reformas, mas o PSD não poderia.
Quando dizem que tanto faz o Governo ser do PS como do PSD, enganam-se redondamente – porque o PS tem condições para fazer as reformas sociais que o PSD nunca conseguiria fazer.
Imaginemos que José Sócrates era líder do PSD e não do PS, e que o PSD estava no Governo.
O ambiente no país seria de cortar à faca.
O PS acusaria o Ministério da Saúde de querer fazer poupanças à custa dos doentes (recorde-se a frase usada na primeira campanha de Guterres: «As pessoas não são números»).
Os socialistas acusariam o Ministério da Educação de perseguir e desautorizar os professores, responsabilizando a ministra pelo clima envenenado que se vive nas escolas.
O Ministério do Trabalho seria apresentado como querendo regressar ao fascismo, humilhando os trabalhadores.
Se Sócrates fosse líder do PSD e primeiro-ministro, estaria certamente a tentar fazer as mesmíssimas reformas que atualmente faz – mas teria contra ele o PS em peso.
Vários ministros e altos dirigentes socialistas que hoje aparecem ao lado dele nos comícios a dar vivas às reformas estariam certamente na rua, de rosa ao peito, a gritar contra elas.
Augusto Santos Silva, Pedro Silva Pereira, Elisa Ferreira ou José Lello desceriam a Avenida da Liberdade manifestando-se contra algumas medidas que hoje convictamente defendem.
E isto poria as reformas em risco.
Se o Governo, tendo consigo o maior partido da esquerda, já recuou na questão da Saúde (recuo que levou mesmo à queda do ministro) e já deu um passo atrás na questão das avaliações, como conseguiria levar a cabo alguma reforma caso tivesse a oposição de toda a esquerda: PS, PCP e BE?
Se Sócrates, tendo com ele o PS, já se viu forçado a ceder, como reagiria se tivesse o PS contra ele?
Esta hipótese lança-nos noutro tipo de reflexão.
Que é a seguinte: a esquerda está hoje muitíssimo mais bem colocada do que a direita para levar por diante as reformas sem as quais se alargará cada vez mais o fosso que separa Portugal da média europeia.
Para certas reformas serem possíveis, têm de ter o apoio de um grande partido de esquerda – porque isso não só é importante do ponto de vista psicológico como é decisivo do ponto de vista social: com manifestações na rua juntando o PS, o PCP e o Bloco de Esquerda criar-se-ia um clima de agitação que amedrontaria qualquer Governo e o faria recuar sem condições.
É por isso que, com Manuela Ferreira Leite ou outro líder qualquer, será quase impossível a direita regressar ao poder em 2009.
As reformas ainda a fazer exigem o apoio do Partido Socialista.
Os empresários sabem-no.
E o povo intui-o.
In: Tubarão Esquilo
Em todas as áreas.
No que respeita à Saúde, o que faria o PSD de diferente?
Não é verdade que destacadas figuras social-democratas, como Manuela Ferreira Leite ou António Borges, defenderam o rumo traçado por Correia de Campos, como o encerramento de urgências e de outros serviços, e a sua concentração em unidades maiores?
E quanto à Educação?
Não é verdade que o PSD defendia há muito tempo a avaliação dos professores, além de outras medidas como a substituição dos Conselhos Diretivos por diretores?
E quanto às leis laborais?
Não está Sócrates a prosseguir as reformas iniciadas por Bagão Félix?
A grande diferença – que alguns empresários ainda não perceberam – é que o PS pode fazer estas reformas, mas o PSD não poderia.
Quando dizem que tanto faz o Governo ser do PS como do PSD, enganam-se redondamente – porque o PS tem condições para fazer as reformas sociais que o PSD nunca conseguiria fazer.
Imaginemos que José Sócrates era líder do PSD e não do PS, e que o PSD estava no Governo.
O ambiente no país seria de cortar à faca.
O PS acusaria o Ministério da Saúde de querer fazer poupanças à custa dos doentes (recorde-se a frase usada na primeira campanha de Guterres: «As pessoas não são números»).
Os socialistas acusariam o Ministério da Educação de perseguir e desautorizar os professores, responsabilizando a ministra pelo clima envenenado que se vive nas escolas.
O Ministério do Trabalho seria apresentado como querendo regressar ao fascismo, humilhando os trabalhadores.
Se Sócrates fosse líder do PSD e primeiro-ministro, estaria certamente a tentar fazer as mesmíssimas reformas que atualmente faz – mas teria contra ele o PS em peso.
Vários ministros e altos dirigentes socialistas que hoje aparecem ao lado dele nos comícios a dar vivas às reformas estariam certamente na rua, de rosa ao peito, a gritar contra elas.
Augusto Santos Silva, Pedro Silva Pereira, Elisa Ferreira ou José Lello desceriam a Avenida da Liberdade manifestando-se contra algumas medidas que hoje convictamente defendem.
E isto poria as reformas em risco.
Se o Governo, tendo consigo o maior partido da esquerda, já recuou na questão da Saúde (recuo que levou mesmo à queda do ministro) e já deu um passo atrás na questão das avaliações, como conseguiria levar a cabo alguma reforma caso tivesse a oposição de toda a esquerda: PS, PCP e BE?
Se Sócrates, tendo com ele o PS, já se viu forçado a ceder, como reagiria se tivesse o PS contra ele?
Esta hipótese lança-nos noutro tipo de reflexão.
Que é a seguinte: a esquerda está hoje muitíssimo mais bem colocada do que a direita para levar por diante as reformas sem as quais se alargará cada vez mais o fosso que separa Portugal da média europeia.
Para certas reformas serem possíveis, têm de ter o apoio de um grande partido de esquerda – porque isso não só é importante do ponto de vista psicológico como é decisivo do ponto de vista social: com manifestações na rua juntando o PS, o PCP e o Bloco de Esquerda criar-se-ia um clima de agitação que amedrontaria qualquer Governo e o faria recuar sem condições.
É por isso que, com Manuela Ferreira Leite ou outro líder qualquer, será quase impossível a direita regressar ao poder em 2009.
As reformas ainda a fazer exigem o apoio do Partido Socialista.
Os empresários sabem-no.
E o povo intui-o.
In: Tubarão Esquilo
FUMO ARREPENDIDO
O que se passou no voo da comitiva de Sócrates para Caracas é um excelente retrato do país. Em qualquer outro voo, se qualquer pessoa puxasse de um cigarro não chegaria à segunda bafurada. Num motim, passageiros e tripulação logo acabariam com a gracinha. Sendo o primeiro-ministro, houve sussurros e queixinhas aos jornalistas, mas ninguém fez o mais a simples: dizer ao senhor José que segundo uma lei feita aprovar pelo senhor Sócrates é proibido fumar, sem qualquer excepção, em transportes aéreos. Como ele muito bem sabe. Mas neste país em que o poder é visto como um privilégio e o respeitinho ainda é muito bonito, fuma quem pode, cala quem deve.
A reacção seguinte é também bem nacional. Há muito que todos sabemos que Sócrates não cumpre a lei do tabaco. Mas quando a coisa virou notícias, a ASAE não anunciou que ia multar o prevaricador e a TAP não deixou claro que nos seus voos não se pode fumar. Ficou tudo à espera do chefe. Já o chefe, percebendo os danos para a sua imagem, não se limitou a pedir desculpas e pagar a multa. À americana, anunciou, como se isso nos dissesse respeito, que ia deixar de fumar. O anúncio prova que Sócrates não percebeu que o problema não é ter traído a sua imagem de saudável desportista. É ter abusado do seu poder. Não são os seus pulmões, que são apenas seus, que dão um mau exemplo ao país. Nem sequer é o facto de num momento de fraqueza ter violado a lei, coisa que não conheço nenhum mortal que não faça de vez em vez. É a recorrente ideia de que vai usando o poder que tem para estar acima da lei. Até ser apanhado em falso.
In: Arrastão
A reacção seguinte é também bem nacional. Há muito que todos sabemos que Sócrates não cumpre a lei do tabaco. Mas quando a coisa virou notícias, a ASAE não anunciou que ia multar o prevaricador e a TAP não deixou claro que nos seus voos não se pode fumar. Ficou tudo à espera do chefe. Já o chefe, percebendo os danos para a sua imagem, não se limitou a pedir desculpas e pagar a multa. À americana, anunciou, como se isso nos dissesse respeito, que ia deixar de fumar. O anúncio prova que Sócrates não percebeu que o problema não é ter traído a sua imagem de saudável desportista. É ter abusado do seu poder. Não são os seus pulmões, que são apenas seus, que dão um mau exemplo ao país. Nem sequer é o facto de num momento de fraqueza ter violado a lei, coisa que não conheço nenhum mortal que não faça de vez em vez. É a recorrente ideia de que vai usando o poder que tem para estar acima da lei. Até ser apanhado em falso.
In: Arrastão
LIBERAIS DE CONVENIÊNCIA
Ciclicamente aparecem os ideólogos do ‘liberalismo de rosto humano’ para modernizar a esclerosada direita nacional. No CDS foi a ala de Pires de Lima que morreu ainda antes de nascer. Agora, no PSD, é Pedro Passos Coelho. É provável que ganhe o partido, pouco familiarizado com debates ideológicos, mas quando andar à conquista de votos terá de meter a viola liberal no saco.
Na verdade, não faltam liberais em Portugal quando se fala de privatizações de serviços públicos. Durão Barroso defendeu a privatização da CGD. Passos Coelho também defende. Um esqueceu e outro esquecerá, porque os empresários nacionais precisam de um banco público para as horas difíceis. Os nossos liberais fazem voz grossa contra a intervenção do Estado na economia mas desaparecem quando se assinam acordos com a Lusoponte ou quando empresas de construção civil financiam os partidos de poder à espera de bons negócios. Não faltam liberais para flexibilizar as leis laborais. Mas os liberais somem-se quando administradores decidem para si próprios indemnizações pornográficas que lhe garantem segurança até ao fim da vida. Não faltam liberais em defesa de impostos mais leves para as empresas. Mas os liberais transfiguram-se para pedir ao Estado que garanta que os ‘centros de decisão’ não saiam do país.
Em Portugal há apenas liberais de conveniência, de que Passos Coelho é apenas mais um exemplo: há que parecer diferente de Sócrates. Mas não vale a pena levar-se demasiado a sério. O centrão apenas gere privilégios. Quando o mais fraco se trama chamam-lhe liberalismo. Quando o mais forte se safa chamam-lhe interesse nacional. Podem aparecer franco-atiradores à procura do seu nicho de mercado, mas depois passa-lhes. Descobrem que a elite que os sustenta vive há décadas protegida por um mercado condicionado. Não quer menos Estado. Quer o Estado só para si. Em Portugal, um jovem de direita que não seja liberal não tem irreverência. Um velho de direita que continue liberal não tem juízo.
In: Arrastão
Na verdade, não faltam liberais em Portugal quando se fala de privatizações de serviços públicos. Durão Barroso defendeu a privatização da CGD. Passos Coelho também defende. Um esqueceu e outro esquecerá, porque os empresários nacionais precisam de um banco público para as horas difíceis. Os nossos liberais fazem voz grossa contra a intervenção do Estado na economia mas desaparecem quando se assinam acordos com a Lusoponte ou quando empresas de construção civil financiam os partidos de poder à espera de bons negócios. Não faltam liberais para flexibilizar as leis laborais. Mas os liberais somem-se quando administradores decidem para si próprios indemnizações pornográficas que lhe garantem segurança até ao fim da vida. Não faltam liberais em defesa de impostos mais leves para as empresas. Mas os liberais transfiguram-se para pedir ao Estado que garanta que os ‘centros de decisão’ não saiam do país.
Em Portugal há apenas liberais de conveniência, de que Passos Coelho é apenas mais um exemplo: há que parecer diferente de Sócrates. Mas não vale a pena levar-se demasiado a sério. O centrão apenas gere privilégios. Quando o mais fraco se trama chamam-lhe liberalismo. Quando o mais forte se safa chamam-lhe interesse nacional. Podem aparecer franco-atiradores à procura do seu nicho de mercado, mas depois passa-lhes. Descobrem que a elite que os sustenta vive há décadas protegida por um mercado condicionado. Não quer menos Estado. Quer o Estado só para si. Em Portugal, um jovem de direita que não seja liberal não tem irreverência. Um velho de direita que continue liberal não tem juízo.
In: Arrastão
O DRAMA DO PSD
O PSD tem um problema: a eleição do líder através do voto directo dos militantes arrisca-se a dar cabo do partido.
Não quero com isto dizer que o PSD corra o perigo de se extinguir.
O PSD (como o PS) ‘existe’ na sociedade: é um partido de eleitores, cuja principal força não está dentro mas fora das paredes da estrutura partidária.
Há gente – muita gente – pelo país fora que nunca votará no PS (por ser socialista), que nunca votará no CDS (por ser pequeno, instável e errático), e que sempre votará no PSD, qualquer que seja o líder e o momento político.
E, mesmo mal liderado, o PSD terá condições para chegar ao poder, visto que o poder não se conquista – o poder ‘herda-se’.
Um partido ascende ‘naturalmente’ ao Governo quando aqueles que o ocupam se esgotam no seu exercício.
Guterres herdou o poder que Cavaco largou, esgotado; Durão Barroso herdou o poder que Guterres largou, igualmente esgotado; Sócrates ocupou o poder que Santana exauriu.
O problema, portanto, não é esse.
O problema é o ‘dia seguinte’.
Com o sistema de eleição directa do líder, o PSD arrisca-se a cair numa deriva populista incapaz de gerar equipas que possam exercer o poder com eficácia e dignidade.
É absolutamente claro que Luís Filipe Menezes não tinha condições para formar um Governo capaz.
A prova, aliás, já estava feita: o pessoal que o acompanhava era mais ou menos o mesmo que participara no desastre de Santana Lopes.
Ora, ainda assim, o partido parece não ter aprendido – e há quem queira reincidir na asneira.
Isto acontece porquê? Porque o processo de escolha do líder é mau.
Muita gente embandeirou em arco com a mudança de estatutos que levou à eleição directa do presidente do partido pelos militantes.
Era o método mais democrático, dizia-se.
Só que também é o método que permite maior manipulação – e que privilegia os que dominam a máquina partidária em detrimento dos mais capazes para governar.
Com a eleição directa do líder, há o perigo de se cavar cada vez mais o fosso entre o PSD e o país.
Os militantes que votam são em geral os mais interesseiros, os mais inflamados, os mais sectários – e, portanto, aqueles cuja opinião está mais distante dos eleitores ‘normais’.
Dirão os defensores deste sistema: mas não acontece o mesmo na América?
Não é verdade que os candidatos do Partido Democrata e do Partido Republicano são escolhidos pelas bases?
É quase assim.
Só que, nos EUA, cada candidato resulta do voto de muitos milhões de eleitores – pelo que representa, de facto, uma parte importante da América.
Ora o líder do PSD é escolhido por uns escassos milhares de militantes – o que, além de facilitar a manipulação, é muito pouco significativo do sentir dos portugueses.
Com este sistema, portanto, dificilmente o PSD irá lá.
Há o perigo real de se agravar o divórcio entre a elite e as bases, como se viu durante os seis meses do consulado de Menezes.
E o líder tenderá a ser cada vez mais um homem do aparelho, sem dimensão de Estado.
Num país pequeno e com poucos hábitos de participação política, como Portugal, a eleição dos líderes partidários deve ser feita em Congresso e não directamente.
Isso dá à elite do partido outra capacidade de intervenção, permitindo escolhas mais racionais, mais ponderadas, mais fundamentadas, mais consistentes.
Se o processo de eleição do líder do PSD tivesse alguma racionalidade, Santana Lopes nem sequer se teria agora candidatado, com vantagem para todos – para ele, para o PSD e para a própria estabilidade política do país.
A candidatura de Santana à liderança do PSD, neste momento, só pode ser tida, de facto, como uma brincadeira.
Ora Portugal não está em altura de brincar à política e aos políticos.
P.S. – A polémica sobre o cigarro fumado por Sócrates num avião ilustra bem o estado do país. Um tema destes fazer manchetes na imprensa dita ‘séria’ cobre-nos de ridículo.
Publicado por JAS
Não quero com isto dizer que o PSD corra o perigo de se extinguir.
O PSD (como o PS) ‘existe’ na sociedade: é um partido de eleitores, cuja principal força não está dentro mas fora das paredes da estrutura partidária.
Há gente – muita gente – pelo país fora que nunca votará no PS (por ser socialista), que nunca votará no CDS (por ser pequeno, instável e errático), e que sempre votará no PSD, qualquer que seja o líder e o momento político.
E, mesmo mal liderado, o PSD terá condições para chegar ao poder, visto que o poder não se conquista – o poder ‘herda-se’.
Um partido ascende ‘naturalmente’ ao Governo quando aqueles que o ocupam se esgotam no seu exercício.
Guterres herdou o poder que Cavaco largou, esgotado; Durão Barroso herdou o poder que Guterres largou, igualmente esgotado; Sócrates ocupou o poder que Santana exauriu.
O problema, portanto, não é esse.
O problema é o ‘dia seguinte’.
Com o sistema de eleição directa do líder, o PSD arrisca-se a cair numa deriva populista incapaz de gerar equipas que possam exercer o poder com eficácia e dignidade.
É absolutamente claro que Luís Filipe Menezes não tinha condições para formar um Governo capaz.
A prova, aliás, já estava feita: o pessoal que o acompanhava era mais ou menos o mesmo que participara no desastre de Santana Lopes.
Ora, ainda assim, o partido parece não ter aprendido – e há quem queira reincidir na asneira.
Isto acontece porquê? Porque o processo de escolha do líder é mau.
Muita gente embandeirou em arco com a mudança de estatutos que levou à eleição directa do presidente do partido pelos militantes.
Era o método mais democrático, dizia-se.
Só que também é o método que permite maior manipulação – e que privilegia os que dominam a máquina partidária em detrimento dos mais capazes para governar.
Com a eleição directa do líder, há o perigo de se cavar cada vez mais o fosso entre o PSD e o país.
Os militantes que votam são em geral os mais interesseiros, os mais inflamados, os mais sectários – e, portanto, aqueles cuja opinião está mais distante dos eleitores ‘normais’.
Dirão os defensores deste sistema: mas não acontece o mesmo na América?
Não é verdade que os candidatos do Partido Democrata e do Partido Republicano são escolhidos pelas bases?
É quase assim.
Só que, nos EUA, cada candidato resulta do voto de muitos milhões de eleitores – pelo que representa, de facto, uma parte importante da América.
Ora o líder do PSD é escolhido por uns escassos milhares de militantes – o que, além de facilitar a manipulação, é muito pouco significativo do sentir dos portugueses.
Com este sistema, portanto, dificilmente o PSD irá lá.
Há o perigo real de se agravar o divórcio entre a elite e as bases, como se viu durante os seis meses do consulado de Menezes.
E o líder tenderá a ser cada vez mais um homem do aparelho, sem dimensão de Estado.
Num país pequeno e com poucos hábitos de participação política, como Portugal, a eleição dos líderes partidários deve ser feita em Congresso e não directamente.
Isso dá à elite do partido outra capacidade de intervenção, permitindo escolhas mais racionais, mais ponderadas, mais fundamentadas, mais consistentes.
Se o processo de eleição do líder do PSD tivesse alguma racionalidade, Santana Lopes nem sequer se teria agora candidatado, com vantagem para todos – para ele, para o PSD e para a própria estabilidade política do país.
A candidatura de Santana à liderança do PSD, neste momento, só pode ser tida, de facto, como uma brincadeira.
Ora Portugal não está em altura de brincar à política e aos políticos.
P.S. – A polémica sobre o cigarro fumado por Sócrates num avião ilustra bem o estado do país. Um tema destes fazer manchetes na imprensa dita ‘séria’ cobre-nos de ridículo.
Publicado por JAS
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