Por Alex Sander Alcântara
Agência FAPESP – O Laboratório de Estudos de Hymenoptera Parasitoides, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), começará a identificar e descrever com detalhes espécies da ordem Hymenoptera, que inclui principalmente vespas parasitoides. Desde outubro, o laboratório vem realizando pesquisas com um microscópio eletrônico de varredura, adquirido com recursos da FAPESP.
Inaugurado em março de 2009, o laboratório – sediado no Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva (DEBE) da UFSCar – abriga o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) dos Hymenoptera Parasitoides da Região Sudeste (Hympar/Sudeste), um dos INCTs que no Estado de São Paulo são apoiados pela FAPESP, por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Projeto Temático, e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
De acordo com a coordenadora do instituto, Angélica Maria Penteado Martins Dias, o microscópio eletrônico de varredura (MEV) Quanta 250 adquirido é o primeiro desse modelo a ser instalado no Brasil na área biológica.
“Além de operar em alto vácuo, esse equipamento permite observação de material sob baixo vácuo e pressão ambiental, o que expande as possibilidades de trabalho na área das ciências biológicas”, disse à Agência FAPESP.
Ao permitir informações detalhadas, o microscópio garantirá maior qualidade nas pesquisas. Segundo a professora do DEBE, esse modelo de MEV dispensa a metalização das amostras, o que mantém as suas características originais.
“O importante é que podemos obter imagens e preservar o material. Às vezes, trata-se de descrição de espécimes que são únicos e que, depois de utilizados, devem ser mantidos como testemunhos”, disse Angélica, destacando que no modo de pressão ambiental é possível trabalhar até mesmo com amostras vivas.
As imagens podem ser ampliadas em até 100 mil vezes. “O que nos interessa é caracterizar a estrutura superficial da espécie analisada. O MEV apresenta detalhes, nuances da estrutura e da escultura, fundamentais para o estudo e que um microscópio biológico de luz é incapaz de obter”, explicou.
O INCT Hympar-Sudeste envolve o trabalho conjunto de 11 instituições de pesquisa. Além do inventário e monitoramento das espécies de Hymenoptera parasitoides dos ecossistemas de mata, cerrado e agroecossistemas, o projeto envolve atividades de ensino e extensão junto à comunidade.
“É uma preocupação nossa poder transferir esses conhecimentos na forma de cursos e contato com a comunidade. Neste ano, trabalhamos com a população em feiras e amostras em praças, além de receber visitantes em nossos laboratórios”, disse Angélica.
A fase atual do projeto desenvolvido pelos grupos de pesquisa ligados ao Instituto é a de aquisição de amostras. “Temos cerca de 100 armadilhas do tipo Malaise [usada para coleta de insetos] montadas em toda a região Sudeste, concentradas em pontos estratégicos, principalmente no Estado de São Paulo”, contou.
Grupo bioindicador
Segundo a coordenadora do INCT, espécies de Hymenoptera são usadas como bioindicadores, dando uma ideia do grau de preservação dos ambientes. O outro ponto importante é o emprego na agricultura. Muitos parasitoides atacam e controlam pragas importantes para o setor agrícola, sendo utilizados em programas de controle biológico. A alternativa é considerada vantajosa financeiramente, alem de contribuir para a preservação do ambiente.
“Trata-se de um grupo que tem biologia toda especial porque explora recursos de outras espécies, levando-as à morte. Como parasitoides, constituem inimigos naturais de muitas pragas. Além disso, refletem em um ambiente natural as condições de outros níveis tróficos à medida que regulam populações de outras espécies”, explicou Angélica.
Em parceria com a Embrapa Milho e Sorgo de Sete Lagoas (MG), o Instituto Biológico de São Paulo (SP) e o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (ES), o grupo do INCT Hympar-Sudeste desenvolve análises e experimentos com pragas e seus parasitoides em culturas de milho, café, coco, mamão, goiaba .
“No estudo de certas pragas agrícolas hospedeiras de Hymenoptera parasitoides é importante a identificação do material envolvido. Para nós, é uma chance de ampliar o conhecimento da biologia, distribuição geográfica e taxonomia, tanto da praga como de seu inimigo natural”, disse.
O grupo atualmente faz o inventário de 32 Unidades de Conservação na região Sudeste do Brasil, a maioria localizada no Estado de São Paulo. “Optamos por trabalhar em áreas de parques e estações ecológicas porque nossa intenção é preparar relatórios para os diretores dessas unidades de conservação, auxiliando na confecção dos respectivos planos diretores. Esses dados se constituem em subsídios importantes para o conhecimento da biodiversidade brasileira”, disse a professora da UFSCar.
A docente destaca também a importância dos recursos investidos para ampliar a troca de informações com grupos de pesquisa internacionais, manter bolsistas, equipar os diversos laboratórios envolvidos, “além de ampliar os acervos de coleções biológicas da UFSCar, do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, do Instituto Biológico de São Paulo e da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios – Polo Regional do Centro Leste, em Ribeirão Preto”, disse Angélica. Segundo ela, sem esses investimentos seria impossível desenvolver um projeto desse porte.
“Com mais um ano de trabalho poderemos disponibilizar mais dados consistentes em termos de inventários. Já temos resultados bastante significativos incluídos em trabalhos enviados à publicação, dissertações, teses e monografias de estudantes envolvidos com o INCT Hympar-Sudeste”, disse.
Mais informações: www.hympar.ufscar.br
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
sábado, 12 de dezembro de 2009
O olhar e o foco
Propaganda nazista dizia que campos e concentração eram resorts
A realidade existe independentemente do que se pensa sobre ela. Não necessariamente ela se impõe. Não se vive obrigatoriamente em um mundo de verdades insofismáveis. O mais crédulo de que tudo sabe esbarra em seu próprio pé, caindo, ao descobrir sua ignorância relativa. Como ninguém sabe de tudo, o mais prudente é ter uma atitude de reverência ao saber e de respeito a tudo que não se conhece bem. O desejável é que o novo fosse visto como algo a ser descoberto e não como o que deveria ser negado em princípio.
Qualquer massa em movimento desenvolve-o relativamente aos demais corpos a que está relacionada. Como tudo está em movimento, inclusive o planeta Terra, o que anda, balança, trepida ou simplesmente imagina-se parado, na verdade está oscilando em função das demais coisas do mundo. A consciência humana, igualmente, oscila em função das informações que recebe. Depende também de sua capacidade de processá-las e entendê-las. Pode ou não completar o seu ciclo, produzindo compreensões ou mantendo ignorâncias relativas. O foco é exatamente este resultado, que resume e finaliza a reflexão.
O problema é que se vive no mundo da espiral da intriga. Este lugar fantástico, que se derrama pelo planeta, é onde se vende, por meio das grandes mídias e dos sensos comuns hegemônicos, a idéia ou preconceito de que tudo está resolvido e de que não há nada de novo sob o Sol. Os problemas foram todos respondidos e é ilícito perguntar se uma idéia ou interpretação de um fato possa ser questionada. Os olhares são vistos como portadores da verdade, quanto mais autoridade os seus donos tiverem. As mídias funcionam como os antigos oráculos, dizendo a todos o que é a verdade. Seus consumidores são tratados como clientes e usuários de seus serviços.
A intriga é uma técnica comunicacional milenar. Foi inventada nas mais antigas sociedades complexas e diferenciadas. O bom intrigante é aquele que junta alguns elementos do real com algo fantástico, porém verossímil, e dirigido a impedir a compreensão efetiva. O que ele – pessoa ou instituição – deseja é que jamais se alcance a compreensão total, imaginando-se que a versão disponível é o suficiente e que o entendimento deva ser necessariamente fragmentário e incompleto, servindo aos senhores que disseminaram a intriga.
Apesar de ter elementos da mentira, a boa intriga também diz verdades. Mistura a ambas, dando credibilidade ao que se quer comunicar. Seu objetivo, por vezes, é o de semear a dúvida, destruindo uma outra versão mais realista sobre o mesmo fato. Por outro lado, os intrigantes querem descredenciar autores ou fatos já divulgados. Existem vários modos de impedir que se chegue ao que realmente aconteceu ou está acontecendo. Os nazistas praticavam barbaridades em seus campos de concentração e, ao mesmo tempo, faziam filmes de propaganda que os mostravam como algo próximo a hotéis de veraneio populares.
Os mais jovens não devem recordar os filmetes de propaganda na tv e nos cinemas do Brasil da época da ditadura militar. Nestes, vivia-se em um mundo sem qualquer problema, apesar da tortura e de outros atos criminosos do poder. O cartunista Henfil ironizava-os, dizendo nos seus desenhos magistrais, que nestas peças de propaganda as vacas usavam óculos de sol para verem a caatinga verdejante em plena estiagem. Nas aparições públicas das autoridades da época, o ufanismo e a idéia da ilha de prosperidade em um mundo turbulento chegava às casas dos teleaudientes, que tinham a função de concordarem ou deixarem o país.
A lista de intrigas e maledicências praticadas em várias épocas é interminável. O importante é compreender o fenômeno e disseminar o antídoto, tentando controlar o veneno. Seria bom que a utopia do verdadeiro, do belo e do bem, proposta por Jean-Pierre Changeux fosse possível e alcançável a todos. Sabe-se que os seres humanos, sem distinção, podem amar a verdade, cultivar a beleza e a bondade. Os homens e as mulheres são capazes de usar a razão e a emoção no sentido do desenvolvimento e proteção da espécie. Lamentavelmente, problemas relativos à ordem social e política impedem que estas potencialidades sejam alcançadas em plenitude.
No esquema de poder simbólico de nosso tempo, as personas midiáticas têm um papel especial. Elas são todos os que depois de expostos nas grandes mídias, transformam-se em referências, em uma espécie de semideuses(as) que iluminam o caminho dos que se transformaram em consumidores acríticos do poder midiático. Não raro, sandices imensas ditas por estas figuras são fartamente usadas pelas grandes mídias, que se aproveitam da pseudo-autoridade moral dos mesmos. Trata-se da intriga que resvala destas personas para o grande público.
As mídias falam, nestes casos, pela boca de intrigantes simpáticos ao grande público. Para além de um star system, têm-se no mundo de hoje a construção de um novo Olimpo, desenvolvido na comunhão entre o público e os profundos interesses mercantis em jogo. Inúmeras funções e profissões geram seus heróis midiáticos. O que eles falam afasta-se velozmente do que realmente eles são. Foram transformados em mercadorias e perderam qualquer pretensão a serem humanos de fato. Por suas bocas passam interesses muito maiores do que eles mesmos. Obviamente, que há ‘famosos’ que se recusam e que, ao contrário, postam-se em posições contra-hegemônicas. Alguns, simplesmente, se calam e não se deixam usar, o que já é muito.
A intriga e outros irracionalismos substituem a possibilidade de se pensar. No contexto atual, transformou-se a ciência em cargos, postos e egos controladores subordinados a interesses empresariais e pessoais. O belo transmutou-se em mercadoria e perdeu o seu antigo sentido libertador. A beleza continuou existindo naquilo que é produzido pela humanidade, mas, freqüentemente, é seqüestrada pelos interesses econômicos. Estes tentam de todo modo impedir que ela floresça e esteja disponível a todos através, por exemplo, das mil e uma possibilidades da obra de arte. A empatia entre as pessoas, isto é, a capacidade de sentir o que o outro sente, de se colocar na pele de quem está sendo humilhado e ofendido continuou viva. Todavia, a onda individualista-consumista do presente impede que, majoritariamente, exista qualquer compaixão.
Raciocinando-se de modo inverso, poder-se-ia listar inúmeros exemplos brasileiros e estrangeiros onde o verdadeiro, o belo e o bem foram e são cultivados. Existem os que se recusam. Não aceitam a moda. Não se dobram frente à onda social conservadora. Mantêm a compaixão e o sentimento de pertencimento ao mesmo povo. Estes são a chama acesa dos desígnios da humanidade. Podem ser circunstancialmente derrotados. No entanto, o futuro lhes pertence.
Luís Carlos Lopes é professor e autor do livro Tv, poder e substância: A espiral da intriga, dentre outros
A realidade existe independentemente do que se pensa sobre ela. Não necessariamente ela se impõe. Não se vive obrigatoriamente em um mundo de verdades insofismáveis. O mais crédulo de que tudo sabe esbarra em seu próprio pé, caindo, ao descobrir sua ignorância relativa. Como ninguém sabe de tudo, o mais prudente é ter uma atitude de reverência ao saber e de respeito a tudo que não se conhece bem. O desejável é que o novo fosse visto como algo a ser descoberto e não como o que deveria ser negado em princípio.
Qualquer massa em movimento desenvolve-o relativamente aos demais corpos a que está relacionada. Como tudo está em movimento, inclusive o planeta Terra, o que anda, balança, trepida ou simplesmente imagina-se parado, na verdade está oscilando em função das demais coisas do mundo. A consciência humana, igualmente, oscila em função das informações que recebe. Depende também de sua capacidade de processá-las e entendê-las. Pode ou não completar o seu ciclo, produzindo compreensões ou mantendo ignorâncias relativas. O foco é exatamente este resultado, que resume e finaliza a reflexão.
O problema é que se vive no mundo da espiral da intriga. Este lugar fantástico, que se derrama pelo planeta, é onde se vende, por meio das grandes mídias e dos sensos comuns hegemônicos, a idéia ou preconceito de que tudo está resolvido e de que não há nada de novo sob o Sol. Os problemas foram todos respondidos e é ilícito perguntar se uma idéia ou interpretação de um fato possa ser questionada. Os olhares são vistos como portadores da verdade, quanto mais autoridade os seus donos tiverem. As mídias funcionam como os antigos oráculos, dizendo a todos o que é a verdade. Seus consumidores são tratados como clientes e usuários de seus serviços.
A intriga é uma técnica comunicacional milenar. Foi inventada nas mais antigas sociedades complexas e diferenciadas. O bom intrigante é aquele que junta alguns elementos do real com algo fantástico, porém verossímil, e dirigido a impedir a compreensão efetiva. O que ele – pessoa ou instituição – deseja é que jamais se alcance a compreensão total, imaginando-se que a versão disponível é o suficiente e que o entendimento deva ser necessariamente fragmentário e incompleto, servindo aos senhores que disseminaram a intriga.
Apesar de ter elementos da mentira, a boa intriga também diz verdades. Mistura a ambas, dando credibilidade ao que se quer comunicar. Seu objetivo, por vezes, é o de semear a dúvida, destruindo uma outra versão mais realista sobre o mesmo fato. Por outro lado, os intrigantes querem descredenciar autores ou fatos já divulgados. Existem vários modos de impedir que se chegue ao que realmente aconteceu ou está acontecendo. Os nazistas praticavam barbaridades em seus campos de concentração e, ao mesmo tempo, faziam filmes de propaganda que os mostravam como algo próximo a hotéis de veraneio populares.
Os mais jovens não devem recordar os filmetes de propaganda na tv e nos cinemas do Brasil da época da ditadura militar. Nestes, vivia-se em um mundo sem qualquer problema, apesar da tortura e de outros atos criminosos do poder. O cartunista Henfil ironizava-os, dizendo nos seus desenhos magistrais, que nestas peças de propaganda as vacas usavam óculos de sol para verem a caatinga verdejante em plena estiagem. Nas aparições públicas das autoridades da época, o ufanismo e a idéia da ilha de prosperidade em um mundo turbulento chegava às casas dos teleaudientes, que tinham a função de concordarem ou deixarem o país.
A lista de intrigas e maledicências praticadas em várias épocas é interminável. O importante é compreender o fenômeno e disseminar o antídoto, tentando controlar o veneno. Seria bom que a utopia do verdadeiro, do belo e do bem, proposta por Jean-Pierre Changeux fosse possível e alcançável a todos. Sabe-se que os seres humanos, sem distinção, podem amar a verdade, cultivar a beleza e a bondade. Os homens e as mulheres são capazes de usar a razão e a emoção no sentido do desenvolvimento e proteção da espécie. Lamentavelmente, problemas relativos à ordem social e política impedem que estas potencialidades sejam alcançadas em plenitude.
No esquema de poder simbólico de nosso tempo, as personas midiáticas têm um papel especial. Elas são todos os que depois de expostos nas grandes mídias, transformam-se em referências, em uma espécie de semideuses(as) que iluminam o caminho dos que se transformaram em consumidores acríticos do poder midiático. Não raro, sandices imensas ditas por estas figuras são fartamente usadas pelas grandes mídias, que se aproveitam da pseudo-autoridade moral dos mesmos. Trata-se da intriga que resvala destas personas para o grande público.
As mídias falam, nestes casos, pela boca de intrigantes simpáticos ao grande público. Para além de um star system, têm-se no mundo de hoje a construção de um novo Olimpo, desenvolvido na comunhão entre o público e os profundos interesses mercantis em jogo. Inúmeras funções e profissões geram seus heróis midiáticos. O que eles falam afasta-se velozmente do que realmente eles são. Foram transformados em mercadorias e perderam qualquer pretensão a serem humanos de fato. Por suas bocas passam interesses muito maiores do que eles mesmos. Obviamente, que há ‘famosos’ que se recusam e que, ao contrário, postam-se em posições contra-hegemônicas. Alguns, simplesmente, se calam e não se deixam usar, o que já é muito.
A intriga e outros irracionalismos substituem a possibilidade de se pensar. No contexto atual, transformou-se a ciência em cargos, postos e egos controladores subordinados a interesses empresariais e pessoais. O belo transmutou-se em mercadoria e perdeu o seu antigo sentido libertador. A beleza continuou existindo naquilo que é produzido pela humanidade, mas, freqüentemente, é seqüestrada pelos interesses econômicos. Estes tentam de todo modo impedir que ela floresça e esteja disponível a todos através, por exemplo, das mil e uma possibilidades da obra de arte. A empatia entre as pessoas, isto é, a capacidade de sentir o que o outro sente, de se colocar na pele de quem está sendo humilhado e ofendido continuou viva. Todavia, a onda individualista-consumista do presente impede que, majoritariamente, exista qualquer compaixão.
Raciocinando-se de modo inverso, poder-se-ia listar inúmeros exemplos brasileiros e estrangeiros onde o verdadeiro, o belo e o bem foram e são cultivados. Existem os que se recusam. Não aceitam a moda. Não se dobram frente à onda social conservadora. Mantêm a compaixão e o sentimento de pertencimento ao mesmo povo. Estes são a chama acesa dos desígnios da humanidade. Podem ser circunstancialmente derrotados. No entanto, o futuro lhes pertence.
Luís Carlos Lopes é professor e autor do livro Tv, poder e substância: A espiral da intriga, dentre outros
Livre do medo
Agência FAPESP – Bloquear a manifestação de memórias de medo por meio de um método não invasivo e que não se baseia no uso de drogas. A novidade, que poderá ter implicações importantes no tratamento de problemas relacionados ao medo, acaba de ser demonstrada em artigo na edição desta quinta-feira (10/12) da revista Nature.
Estudos anteriores demonstraram como bloquear tais memórias, mas envolviam o uso de compostos tóxicos e duravam apenas alguns dias. No novo método, Elizabeth Phelps, da Universidade de Nova York, e colegas evitaram o uso de drogas ao se basear na fase conhecida como “reconsolidação” da memória, na qual memórias antigas podem passar por mudanças.
Após treinar voluntários a sentir medo de certos estímulos visuais, os pesquisadores apresentaram uma nova informação “segura” ao mesmo tempo em que reativavam as memórias de medo. Ao fazer isso, eles conseguiram “reescrever” os pensamentos negativos associados com os estímulos.
Os efeitos da intervenção duraram cerca de um ano e aparentemente não afetaram as memórias que não foram reativadas no momento da introdução da nova informação. Os autores do estudo concluíram que as memórias antigas de medo podem ser atualizadas com informações não amedrontadoras.
Os resultados reforçam a hipótese de que as memórias emocionais se reconsolidam a cada vez que são recuperadas. E que o período em que o processo ocorre tornar as memórias vulneráveis a modificações que podem ser induzidas. Ou seja, pode-se livrar o portador da sensação de medo para aquela determinada memória.
“O momento parece ser mais importante para o controle do medo do que imaginávamos. Nossa memória reflete mais a última vez que foi recuperada do que a exata recuperação do evento original”, disse Elizabeth.
Além das implicações no tratamento de distúrbios relacionados ao medo, os resultados apontam que o momento das intervenções terapêuticas tem um papel muito importante para o sucesso dos procedimentos.
“Inspirado em estudos básicos em roedores, essa nova descoberta em humanos poderá ser transferida para o desenvolvimento de melhores terapias para o tratamento de distúrbios de ansiedade, como o estresse pós-traumático”, disse Thomas Insel, diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental, um dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, que financiou a pesquisa.
O artigo Preventing the return of fear in humans using reconsolidation update mechanisms, de Elizabeth Phelps e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.
Estudos anteriores demonstraram como bloquear tais memórias, mas envolviam o uso de compostos tóxicos e duravam apenas alguns dias. No novo método, Elizabeth Phelps, da Universidade de Nova York, e colegas evitaram o uso de drogas ao se basear na fase conhecida como “reconsolidação” da memória, na qual memórias antigas podem passar por mudanças.
Após treinar voluntários a sentir medo de certos estímulos visuais, os pesquisadores apresentaram uma nova informação “segura” ao mesmo tempo em que reativavam as memórias de medo. Ao fazer isso, eles conseguiram “reescrever” os pensamentos negativos associados com os estímulos.
Os efeitos da intervenção duraram cerca de um ano e aparentemente não afetaram as memórias que não foram reativadas no momento da introdução da nova informação. Os autores do estudo concluíram que as memórias antigas de medo podem ser atualizadas com informações não amedrontadoras.
Os resultados reforçam a hipótese de que as memórias emocionais se reconsolidam a cada vez que são recuperadas. E que o período em que o processo ocorre tornar as memórias vulneráveis a modificações que podem ser induzidas. Ou seja, pode-se livrar o portador da sensação de medo para aquela determinada memória.
“O momento parece ser mais importante para o controle do medo do que imaginávamos. Nossa memória reflete mais a última vez que foi recuperada do que a exata recuperação do evento original”, disse Elizabeth.
Além das implicações no tratamento de distúrbios relacionados ao medo, os resultados apontam que o momento das intervenções terapêuticas tem um papel muito importante para o sucesso dos procedimentos.
“Inspirado em estudos básicos em roedores, essa nova descoberta em humanos poderá ser transferida para o desenvolvimento de melhores terapias para o tratamento de distúrbios de ansiedade, como o estresse pós-traumático”, disse Thomas Insel, diretor do Instituto Nacional de Saúde Mental, um dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, que financiou a pesquisa.
O artigo Preventing the return of fear in humans using reconsolidation update mechanisms, de Elizabeth Phelps e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
UMA CURIOSIDADE NA CIDADE DO CABO
BARTOLOMEU DIAS, UM OLHAR PORTUGUÊS
Mais de 500 anos após se ter tornado o primeiro europeu a navegar na costa sul-africana, e em particular na zona do Cabo das Tormentas, Bartolomeu Dias ocupa um lugar privilegiado no centro da Cidade do Cabo, na África do Sul.
A sua imponente estátua está em posição frontal ao Centro de Convenções, onde se realizou o sorteio para a fase de grupos do Mundial de Futebol que se realiza em 2010.
Será sem duvida uma boa orientação trágico/martima, para o regresso a Portugal, da Selecção Nacional, após a 1ª fase do Mundial, onde deve passar uns bons dias de estagio, e fazer 3 agradáveis jogos... mas não muito mais do que isso, fase ao seu potencial futebolístico, e aos adversários em presença no seu grupo de apuramento.
Mais de 500 anos após se ter tornado o primeiro europeu a navegar na costa sul-africana, e em particular na zona do Cabo das Tormentas, Bartolomeu Dias ocupa um lugar privilegiado no centro da Cidade do Cabo, na África do Sul.
A sua imponente estátua está em posição frontal ao Centro de Convenções, onde se realizou o sorteio para a fase de grupos do Mundial de Futebol que se realiza em 2010.
Será sem duvida uma boa orientação trágico/martima, para o regresso a Portugal, da Selecção Nacional, após a 1ª fase do Mundial, onde deve passar uns bons dias de estagio, e fazer 3 agradáveis jogos... mas não muito mais do que isso, fase ao seu potencial futebolístico, e aos adversários em presença no seu grupo de apuramento.
sábado, 5 de dezembro de 2009
O pior aluno do Mundo
"Em 1969, o indiano Shiv Pappu Charan fez uma promessa à namorada: assim que ele conseguisse formar-se numa escola para adultos já poderiam casar-se. Na última semana, aos 74 anos, foi ver as pautas das notas e descobriu que tinha chumbado pela 38ª vez!
Apelidado já de "o pior aluno do mundo", o melhor que conseguiu, de um a dez, foi um 3,4 a hindu... E a matemática já conseguiu chegar a 0,5!!! "Vou estudar até passar de ano, pois a minha motivação é poder casar-me", diz o voluntarioso estudante. E acrescenta esta atracção turística: "Quando vou fazer uma prova, as pessoas vêm de vários lugares da Índia para me ver", conta."
Eu tenho pena do homem e vou mandar-lhe a seguinte carta através do jornal que relata esta história:
Exmo sr. Shiv Pappu Charan,
Fiquei muito comovido com a sua história e a sua persistência. Decidi fazer uma colecta para que possa estudar em Portugal. E esqueça isso do curso básico para adultos, porque você merece um curso superior. De resto, já inscrevi uma vaga em seu nome na Universidade Independente (se reabrir!), reputadíssima a nível internacional e com um excelente leque de professores. Se não reabrir temos também as novas oportunidades. Vai ver que não só casa como ainda chega a administrador de um banco ou mesmo a primeiro-ministro...
Um português qualquer
Apelidado já de "o pior aluno do mundo", o melhor que conseguiu, de um a dez, foi um 3,4 a hindu... E a matemática já conseguiu chegar a 0,5!!! "Vou estudar até passar de ano, pois a minha motivação é poder casar-me", diz o voluntarioso estudante. E acrescenta esta atracção turística: "Quando vou fazer uma prova, as pessoas vêm de vários lugares da Índia para me ver", conta."
Eu tenho pena do homem e vou mandar-lhe a seguinte carta através do jornal que relata esta história:
Exmo sr. Shiv Pappu Charan,
Fiquei muito comovido com a sua história e a sua persistência. Decidi fazer uma colecta para que possa estudar em Portugal. E esqueça isso do curso básico para adultos, porque você merece um curso superior. De resto, já inscrevi uma vaga em seu nome na Universidade Independente (se reabrir!), reputadíssima a nível internacional e com um excelente leque de professores. Se não reabrir temos também as novas oportunidades. Vai ver que não só casa como ainda chega a administrador de um banco ou mesmo a primeiro-ministro...
Um português qualquer
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Afinal a Vacina da Gripe reduz mortes por enfarte entre idosos no Brasil
A vacinação contra a gripe comum reduziu em 20% a mortalidade de idosos por enfarte na cidade de São Paulo, Brasil, segundo pesquisa do Instituto do Coração de São Paulo (Incor). Isso acontece porque os efeitos da gripe no organismo, como desidratação, taquicardia, febre e processos inflamatórios, podem atuar como gatilho para problemas cardíacos.
"Pessoas imunizadas não ficam doentes ou têm quadros infecciosos muito mais leves, com menos riscos de complicações", explica Antonio Mansur, um dos autores da pesquisa publicada na revista Arquivos Brasileiros de Cardiologia. Os cientistas investigam agora a hipótese de que a vacina tenha um efeito protetor ainda mais importante para pacientes cardíacos jovens.
Os pesquisadores analisaram a mortalidade de idosos por doenças cardiovasculares na capital entre 1980 e 2006. Ao comparar o período anterior ao programa de vacinação - que em São Paulo começou em 1998 - com o período seguinte, verificaram queda de 36% nas mortes por enfarte. Desse total, 20% eles atribuem à influência da vacinação.
Estudos internacionais já tinham investigado os benefícios da vacina contra o vírus influenza para o coração, mas sua eficácia na prevenção do enfarte ainda é controversa. Este é o primeiro levantamento sobre o tema feito no Brasil.
Segundo Mansur, o próximo passo é investigar a hipótese de que a proteção da vacina para o coração seja importante em pacientes jovens. Ele explica que a inflamação causada pelas placas de gordura nas artérias é pior nos mais jovens porque o processo é recente.
A estratégia de vacinação de idosos contra a gripe começou em 1999 em todo o País. Hoje a imunização ocorre anualmente, entre a segunda quinzena de abril e a segunda quinzena do mês de maio. Na última campanha foram imunizados 82,73% dos brasileiros com mais de 60 anos, segundo dados do Ministério da Saúde.
As informações são do jornal O Estado de S.Paulo. (AE)
"Pessoas imunizadas não ficam doentes ou têm quadros infecciosos muito mais leves, com menos riscos de complicações", explica Antonio Mansur, um dos autores da pesquisa publicada na revista Arquivos Brasileiros de Cardiologia. Os cientistas investigam agora a hipótese de que a vacina tenha um efeito protetor ainda mais importante para pacientes cardíacos jovens.
Os pesquisadores analisaram a mortalidade de idosos por doenças cardiovasculares na capital entre 1980 e 2006. Ao comparar o período anterior ao programa de vacinação - que em São Paulo começou em 1998 - com o período seguinte, verificaram queda de 36% nas mortes por enfarte. Desse total, 20% eles atribuem à influência da vacinação.
Estudos internacionais já tinham investigado os benefícios da vacina contra o vírus influenza para o coração, mas sua eficácia na prevenção do enfarte ainda é controversa. Este é o primeiro levantamento sobre o tema feito no Brasil.
Segundo Mansur, o próximo passo é investigar a hipótese de que a proteção da vacina para o coração seja importante em pacientes jovens. Ele explica que a inflamação causada pelas placas de gordura nas artérias é pior nos mais jovens porque o processo é recente.
A estratégia de vacinação de idosos contra a gripe começou em 1999 em todo o País. Hoje a imunização ocorre anualmente, entre a segunda quinzena de abril e a segunda quinzena do mês de maio. Na última campanha foram imunizados 82,73% dos brasileiros com mais de 60 anos, segundo dados do Ministério da Saúde.
As informações são do jornal O Estado de S.Paulo. (AE)
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Cheira mal, cheira a Lisboa
Tenho o nariz torto. A narina esquerda não funciona. Infelizmente, esta surdez parcial do meu olfacto não me protege do fétido fedor que sevicia quem passa ao largo de Aveiro. Falo do mau cheiro literal, não do figurado - do negócio do sucateiro Manuel Godinho ter quartel-general em Esmoriz, de Oliveira e Costa ser de Esgueira, e Vara e os Penedos serem visitas frequentes de Aveiro, onde mantêm longas conversas com o juiz de instrução criminal.
Se trapalhadas e negociatas obscuras libertassem realmente um odor pestilento, não se podia passar perto de Aguiar da Beira e os carteiristas do eléctrico 28 estavam no desemprego, pois a podridão do ar nos mais belos e ricos bairros de Lisboa afugentaria os seus 2,5 milhões de turistas.
A fábrica de Cacia da Portucel é a origem do fedor que tortura os automobilistas viciados na A1 e os passageiros económicos e/ou ambientalistas do Alfa. Há coisa de 15 anos, quando visitei esta celulose, comprovei a enorme capacidade humana em se adaptar a circunstâncias adversas. Achei que o almoço era a ocasião certa para fazer a pergunta. Fartos de a ouvir, os anfitriões responderam pacientemente que algumas semanas bastavam para concluir o processo de dessensibilização - e deixarem de sentir o cheirete.
Esta fantástica capacidade para comermos num ambiente de latrina preocupa-me muito, principalmente nesta altura em que para decifrarmos os casos de actualidade é preciso ter um curso de Direito (e dos bons, aqueles da Independente não chegam). Só assim compreendemos as nuances da arquitectura de um sistema judicial canceroso e sabemos traduzir para português um dialecto judicial atulhado de "atentados ao Estado de Direito", "elementos probatórios", "irrelevância criminal", "denegação de justiça", "medidas de coacção", "expedientes administrativos" e "emissões de certidões".
Temo que, tal como os trabalhadores da Portucel de Cacia, nós, os portugueses, nos dessensibilizemos e deixemos de sentir o fedor a podridão da pandemia de escândalos a que estamos sujeitos. Por isso, ou estes políticos conseguem reduzir drasticamente a quantidade de lixo que produzem e arranjam um eficiente tratamento da sua porcaria (dotando-se de um sistema subterrâneo de esgotos e de uma ETAR na periferia, longe dos nossos olhos) ou o melhor é darmos ouvidos ao conselho de Eça de Queiroz: "Os políticos e as fraldas devem mudar-se com frequência - pela mesma razão."
Não me apetece viver num país que cheira como uma casa de banho que continua em uso apesar ter o autoclismo avariado - e em que não consigamos ouvir a marcha "Cheira bem, cheira a Lisboa" sem nos escangalharmos a rir às gargalhadas.
“Jorge Fiel”
Se trapalhadas e negociatas obscuras libertassem realmente um odor pestilento, não se podia passar perto de Aguiar da Beira e os carteiristas do eléctrico 28 estavam no desemprego, pois a podridão do ar nos mais belos e ricos bairros de Lisboa afugentaria os seus 2,5 milhões de turistas.
A fábrica de Cacia da Portucel é a origem do fedor que tortura os automobilistas viciados na A1 e os passageiros económicos e/ou ambientalistas do Alfa. Há coisa de 15 anos, quando visitei esta celulose, comprovei a enorme capacidade humana em se adaptar a circunstâncias adversas. Achei que o almoço era a ocasião certa para fazer a pergunta. Fartos de a ouvir, os anfitriões responderam pacientemente que algumas semanas bastavam para concluir o processo de dessensibilização - e deixarem de sentir o cheirete.
Esta fantástica capacidade para comermos num ambiente de latrina preocupa-me muito, principalmente nesta altura em que para decifrarmos os casos de actualidade é preciso ter um curso de Direito (e dos bons, aqueles da Independente não chegam). Só assim compreendemos as nuances da arquitectura de um sistema judicial canceroso e sabemos traduzir para português um dialecto judicial atulhado de "atentados ao Estado de Direito", "elementos probatórios", "irrelevância criminal", "denegação de justiça", "medidas de coacção", "expedientes administrativos" e "emissões de certidões".
Temo que, tal como os trabalhadores da Portucel de Cacia, nós, os portugueses, nos dessensibilizemos e deixemos de sentir o fedor a podridão da pandemia de escândalos a que estamos sujeitos. Por isso, ou estes políticos conseguem reduzir drasticamente a quantidade de lixo que produzem e arranjam um eficiente tratamento da sua porcaria (dotando-se de um sistema subterrâneo de esgotos e de uma ETAR na periferia, longe dos nossos olhos) ou o melhor é darmos ouvidos ao conselho de Eça de Queiroz: "Os políticos e as fraldas devem mudar-se com frequência - pela mesma razão."
Não me apetece viver num país que cheira como uma casa de banho que continua em uso apesar ter o autoclismo avariado - e em que não consigamos ouvir a marcha "Cheira bem, cheira a Lisboa" sem nos escangalharmos a rir às gargalhadas.
“Jorge Fiel”
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