Estimado Señor Presidente Dr. Alvaro Uribe:
Entendemos que usted ha hecho un gran esfuerzo por mantener las relaciones diplomáticas y comerciales con Ecuador, Venezuela y Nicaragua en el mejor término posible. Pero los colombianos estamos hartos de tanta falsedad, hipocresía y descaro de los presidentes de estas naciones.
También entendemos que hay muchos colombianos que se verían perjudicados económicamente por el deterioro de las relaciones con estos países. Pero no puede usted continuar dejando a millones de colombianos con este sentimiento de impotencia y de rabia tan grande como el que nos embarga, al ver todo el comportamiento maligno y perverso de estos presidentes.
Si sobrevivimos al bloqueo comercial de Estados Unidos durante el gobierno de Samper, también lo haremos ahora si Venezuela y Ecuador suspenden el comercio con Colombia.
Los venezolanos, ecuatorianos y nicaraguenses son nuestros hermanos y amigos. Sin embargo ni el gobierno de Ecuador, ni el de Nicaragua, ni el de Venezuela, son amigos de Colombia. Por el contrario, estos tres unidos a la Farc, son la mayor amenaza para el futuro de nuestro país. Los presidentes Correa, Chávez y Ortega, representan junto a Alfonso Cano, los mayores enemigos de la libertad, el progreso y la autonomía de nuestra nación.
Así cómo un día usted encarnó el hastío que sentíamos los colombianos contra la guerrilla y los grupos violentos en general, hoy le pedimos que encarne el mismo hastío que sentimos la mayoría al ver a estos presidentes financiar y apoyar a estos bandoleros que han desangrado nuestra nación con actos violentos y terroristas.
Olvídese de la comunidad internacional. Este es un asunto que lo debemos resolver nosotros por nuestros propios medios en compañía de nuestros aliados y amigos. No espere que la OEA, con Insulza o la ONU o ninguna ONG haga absolutamente nada para ayudar a Colombia a liberarse de la influencia malévola de nuestros “vecinos”. A pesar de todas las pruebas contundentes del apoyo de esta gente a grupos terroristas, jamás hemos visto a ninguna organización de carácter internacional apersonarse de esta situación. Todos están acobardados ante la ferocidad de Chávez y sus compinches.
Póngase de pie y déle la cara a estos individuos en nombre de todos los colombianos. Así cómo un día le habló fuerte a la guerrilla y se vistió de determinación para cumplir con su palabra, le pido que haga lo mismo frente a esta amenaza contra nuestro país.
Chávez, Correa, Ortega y Alfonso Cano, jamás se van a detener en su afán de tomarse el poder en Colombia por las malas. Lo peor es que hay un puñado de colombianos que traicionan su propio país, con tal de acceder al poder así sea uniéndose con el diablo mismo.
Somos 48 millones de colombianos, la inmensa mayoría, quiénes lo respaldamos en un cambio de actitud para frenar a estos individuos y colocarlos en su lugar.
Toda esta farsa y esta hipocresía con la que se han manejado las relaciones con estos países, no ha servido de nada. Créame que logrará usted mucho más siendo el Alvaro Uribe que nosotros conocemos y no un presidente amordazado por las apariencias y la crítica.
No importa que tan decente usted se comporte, ni que tan diplomática sean las relaciones, ni que tan equilibrado y ecuánime luzca el gobierno, estos tipos van a continuar con sus fechorías y sus planes diabólicos.
Estamos indignados con todo lo que ha pasado en las relaciones de estos países con Colombia. Cada vez que a usted le insultan y le hablan de esa forma tan ofensiva, a los colombianos nos duele cómo si fuera a nosotros mismos.
Nos da impotencia ver cómo estos individuos nos ofenden y atropellan para tapar sus faltas y sus fechorías. Estamos hartos señor Presidente Uribe.
Implemente el programa de cooperación militar con Estados Unidos, con Israel y con quién sea necesario, para impedir que un día estos locos nos vayan a invadir dizque para cumplir con el sueño de Bolívar.
Mantenga el pulso firme ante esta amenaza, que nosotros mantendremos las encuestas arriba. Vuelva a ser el Presidente del cual los colombianos nos sentimos orgullosos y que encarna el coraje y la valentía de nuestra nación. Ponga a estos presidentes en su puesto; usted se lo debe a Colombia, pero también al futuro de América Latina.
Atentamente:
JUAN PUEBLO COLOMBIANO
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
A SOCIEDADE FINANCEIRA PORTUGUESA
A SFP lava os dólares na Suiça e os evapora no Brasil
de: Eulalia Moreno
A Sociedade Financeira Portuguesa( SFP) foi constituída , durante o governo de Marcelo Caetano, com o objetivo de captar recursos financeiros para a construção da barragem de Cabora Bassa, em Moçambique. Tempos depois, a referida Sociedade ampliou os seus investimentos para o Brasil, investimentos esses que , segundo notícia publicada no jornal " Expresso", de Lisboa, em 11 de março de 1977, envolviam " 80 milhões de dólares em investimentos e empréstimos, repartidos pelo Banco Itaú e pelo grupo EMPAR ( Empreendimentos e Participações S.A)".
Antes de abril de 1974, o governo português detinha 55% de toda a participação empresarial da SFP, enquanto os investimentos privados representavam os restantes 45%. Com a derrubada do governo salazarista, a 25 de abril de 1974, o governo português decretou a nacionalização da SFP que assim passou a pertencer totalmente ao Estado português. Seus funcionários tornaram-se funcionários do governo, dentre eles Antonio Gomes da Costa ( atual presidente do Real Gabinete Portugues de Leitura e diretor da Caixa de Socorros Pedro V, na cidade do Rio de Janeiro).
O governo estatizou a SFP mas não conseguiu impedir a evasão dos seus recursos financeiros para o exterior. Parte deles foram transferidos para a Suiça, adquirindo assim a "nacionalidade" daquele país. Refugiados em Genebra, os diretores da SFP criaram a empresa " DEX HOLDING" e a registraram no Banco Central do Brasil.
Obtida a " nacionalidade" suiça , os recursos financeiros portugueses já devidamente " lavados" foram exportados para o Brasil e investidos em empresas já mantidas pelo grupo. Simultaneamente, os líderes do grupo desativaram a SFP, e a mesclaram com a "EMPAR" ( Empreendimentos e Participações S.A), empresa que tinha sido criada em 1971. E para bloquear qualquer risco de atrito diplomático entre o Brasil e Portugal, os cabecilhas não esqueceram de atribuir a "EMPAR" a característica de " Sociedade Anonima".
Graças a essa jogada de alcance político-diplomático tornaram-se ainda mais complicados os termos de negociações entre Lisboa e Brasília numa possível ação jurídica para repatriação dos fundos portugueses aplicados indevidamente no Brasil pela SFP, " engolida" pela EMPAR, uma sociedade anonima de empreendimentos e participações. Desaparecia assim a pessoa jurídica portuguesa alcançável pelas autoridades de Portugal.
Em 1978 o então Ministro das Finanças de Portugal, Victor Constâncio, que acompanhava o presidente Ramalho Eanes numa visita oficial ao Brasil, interrogado sobre o assunto, declarou à imprensa brasileira:
" O aspecto mais difícil para a normalização das relações economico-financeiras entre Brasil e Portugal está ligado ao esforço do governo portugues para o repatriamento de milhões de dólares trazidos para o território brasileiro pelo consórcio empresarial Sociedade Financeira Portuguesa- SFP- após a morte de Salazar. A dificuldade para a devolução desses dólares está no fato de que a filial da SFP no Brasil mudou de nome e deixou juridicamente de existir, enquanto a matriz era estatizada após a revolução de abril de 1974. A SFP investiu no Brasil de forma diversificada, atuando nos ramos dos seguros, explosivos, bancos e, com menos recursos nos setores editorial e gráfico".
A seguir, a transcrição de algumas notícias publicadas:
Os dólares que fugiram de Portugal
Negócio do Ramalho Eanes, entre miudezas avulsas para o folclore noticioso da grande imprensa era o seguinte: tentar pegar de volta US$ 45 milhões de capital fugitivo dos US$ 80 milhões desviados, após o 25 de abril, da Sociedade Financeira Portuguesa, fundada por Salazar com recursos estatais e privados para investir em África e que se " asilaram" no Brasil sob a égide da EMPAR- Empreendimentos e Participações S/A.
Essa holding brasileira que tem como testa-de-ferro o " grande amigo" de Portugal que é o embaixador Negrão de Lima, diluiu a copiosa grana por canais diversos, entre os quais o Grupo Itaú, o Banco Residência de Investimentos, a Cobrex-Sociedade Brasileira de Explosivos, a Rupturita- Sociedade Brasileira de Explosivos, a Seguros Ipiranga ( Gustavo Capanema) e outra. O grande animador da EMPAR é o notório Gomes da Costa, frequentador eventual da página 11 do Jornal do Brasil e da página 3 de O Globo, além de editorialista contumaz de " O Mundo Portugues", órgão carioca da cúpula salazarista da colonia lusa, onde semanalmente derrama lágrimas de crocodilo sobre a bancarrota a que o " gonçalvismo" conduziu Portugal e exige de Ramalho Eanes, restaurador do capitalismo, o saneamento à esquerda.
Um notável patriota. Agora, só com as ações que ele tem no Itaú, eu passava o resto da vida numa rede, me abanando com o citado semanário. Mas, desgraçadamente, jamais fui um patriota...
Armindo Blanco, Jornal O Pasquim, 26 de Maio de 1978
Eanes tenta repatriar tudo o que a Financeira Portuguesa trouxe
O ministro das Finanças de Portugal, Victor Constâncio, confirmou na sexta feira que o aspecto mais intricado do chamado " contencioso português", se refere ao esforço para repatriamento de milhões de dólares trazidos para o Brasil pelo consórcio empresarial Sociedade Financeira Portuguesa( SFP), depois da morte de Salazar.
Constâncio explicou que esse assunto tomou muito tempo nas conversas entre autoridades diplomáticas e financeiras do Brasil e de Portugal, na atual visita do presidente Ramalho Eanes a Brasília e Rio de Janeiro. A dificuldade para a devolução desses dólares está no fato de que a filial da SFP no Brasil mudou de nome e deixou juridicamente de existir como tal, enquanto a matriz era estatizada após a revolução de abril de 1974.
O ministro confirmou que a SFP investiu no Brasil de forma diversificada, atuando nos ramos dos seguros, explosivos e bancos, e com menos recursos, nos setores editorial e gráfico. Falando sobre o problema, rapidamente, enquanto o presidente Eanes visitava o Museu de Arte Moderna do Rio, Constâncio admitiu que, apesar, da estatização do consórcio empresarial portugues, não foi possível ao governo português evitar a evasão dos recursos para o exterior.
D.C.I - Diário do Comércio e Indústria ( data não determinada)
O Banco Central garantiu ontem que não há qualquer registro de entrada de recursos no Brasil através da Sociedade Financeira Portuguesa. Esses recursos estariam agora mobilizando as autoridades daquele país na tentativa de repatriar cerca de 46 milhões de dólares retirados ilegalmente de Portugal após a queda do governo de Oliveira Salazar, com a Revolução de 25 de abril de 1974. Segundo o Banco Cntral, se esse capital entrou no país foi através de uma outra empresa qualquer, possivelmente a " Dex Holding" criada na Suiça pela diretoria da Sociedade Financeira Portuguesa e logo em seguida registrada no Banco Central do Brasil. As conversações sobre o retorno desses recursos a Portugal foram inicadas em 1975 entre os governos dos dois países e estariam agora na pauta da visita que o presidente Ramalho Eanes faz ao Brasil .
As denúncias
A Sociedade Financeira Portuguesa foi nacionalizada após a derrubada ro regime salazarista pelo governo portugues, mas este não conseguiu impedir que os recursos saíssem ilegalmente do país. Parte foram transferidos para Genebra, adquirindo a nacionalidade suiça ,posteriormente exportados para o Brasil e investidos em algumas empresas já mantidas pelo grupo. Paralelamente a diretoria da " Dex Holding" desativou no Brasil a sociedade que seria substituída pela " EMPAR", segundo o Banco Central. Atualmente a empresa se encontra sob intervenção do Banco Nacional do Desenvolvimento Economico, assim como a editoria José Olímpio, que também teria recebido parte dos recursos aplicados ilegalmente no Brasil.
A " EMPAR" opera no ramo de coordenação ou realização de empreendimentos industriais e comerciais, prestação de serviços, promoção de contratos com organismos comerciais, etc... Seu presidente é o ex-embaixador do Brasil em Portugal, Francisco Negrão de Lima, eleito em março do ano passado.
Quanto à Sociedade Financeira Portuguesa é uma espécie de empresa de economia mista, criada no governo de Marcelo Caetano, com a participação de diversos bancos, que agora estão nacionalizados, o que a deixa atualmente como um organismo estatal. Ela também tem participação no Banco Itaú desde 1972, quando começou. Entre empréstimos e investimentos, a Sociedade Financeira Portuguesa trouxe para o Brasil cerca de 80 milhões de dólares, mas hoje praticamente os investimentos estão todos no Banco Itaú.
Sociedade Financeira Portuguesa
Empresas de explosivos detonam dólares da Sociedade Financeira Portuguesa
De: Eulália Moreno
Em 1978 a visita do então presidente Ramalho Eanes ao Brasil era a última esperança de Portugal reaver parte dos dólares saqueados dos seus cofres e levados para a Suíça, numa trama internacional que lesou os interesses do país e dos portugueses.
O tráfico de influência garantiu a execução do plano, numa teia habilidosa que culminou com o desaparecimento da Sociedade Financeira Portuguesa( SFP), derrubada por uma complicada fórmula jurídica que tornou impossível a apuração direta por parte do governo de Portugal.
Com a “ naturalização” suíça dos milhões de dólares portugueses, a sua transferência para aplicações no Brasil e a extinção da SFP através da “ laranja” EMPAR ,fecharam-se os caminhos para apurar e revelar os autores e beneficiados do grande saque aos cofres de Portugal.
No Brasil, um complexo comercial-financeiro, envolvendo personalidades influentes no Brasil, como embaixadores, industriais e banqueiros, garantiu a impunidade dos responsáveis pelo escândalo do “ capital em fuga” levado fronteira afora em seguida à queda do regime salazarista. Os arquitetos do golpe e através da EMPAR estenderam os seus tentáculos a empresas, a maioria delas ligada à fabricação e comercialização de explosivos, tais como a COBREX- Companhia Brasileira de Explosivos, Rupturita S/A- Explosivos, EXPLO- Indústria Química e Explosivos, grupo Itaú, Banco Residência de Investimentos S/A, Companhia Sul Brasil de Seguros, Companhia de Seguros Ipiranga, Fidelidade S/A Crédito e Investimentos, Nordeste de Seguros, Anchieta de Seguros e várias outras.
Diante das dificuldades para a apuração do grande golpe internacional, somente os entendimentos diretos, governo a governo, poderiam levar ao esclarecimento total e , possivelmente, à recuperação da parte dos milhões de dólares espoliados dos cofres portugueses.
Ramalho Eanes nada fêz em 1978 como nada tinha feito Mario Soares quando como Primeiro Ministro em visita ao Brasil em 1977, foi informado e preferiu segundo um editorial do jornal “ Voz de Portugal” do Rio de Janeiro “ passear a sua carismática figura do que mergulhar nos complexos assuntos que envolviam o meio econômico luso-brasileiro”. Um perito econômico, Alves Condes e outro jurídico, Celestino dos Santos, deram prosseguimento aos entendimentos iniciados em 1975 ,sem, contudo, nada concretizar.
De salientar e louvar a coragem do jornal “ Voz de Portugal” que deu visibilidade às investigações do jornalista José Cabral Falcão publicando-as, na íntegra.
O mistério em torno do desvio dos milhões de dólares tem uma tônica muito curiosa: ninguém sabe, ninguém viu, ninguém conhece. Aquele mesmo código de honra que caracteriza o comportamento de elementos do crime organizado como a Máfia italiana. Quando se fala da Sociedade Financeira Portuguesa ouvimos comentários como: “ A SFP é coisa do passado, como o salazarismo também é do passado. Os dois estão relativamente ligados e, consequentemente, não existe mais a SFP”.
Jean Bernet, então assessor do Banco Nacional do Desenvolvimento Economico ( BNDE), hoje BNDES, embora relutante ,recebeu o jornalista José Cabral Falcão que narra o encontro:
Jean Bernet é um homem cauteloso, seus documentos são dele, não empresta, não vende, nem troca. É um suíço da melhor estirpe em matéria de silêncio e segredo. Um homem conveniente a todos os implicados no esquema do “ capital em fuga” que lesou o tesouro português.
“Sou o único que poderá dar informações sobre a Sociedade Financeira Portuguesa porque tudo se cruzou por aqui. Mas, não quero processo em cima de mim, não vou lhe dar o organograma da DEX HOLDING. O Banco Itaú é um investimento que a ex-Sociedade Financeira Portuguesa tinha no ex-Banco Português de Investimentos, do José Adolpho da Silva Gordo. Depois, esse Banco Portugues foi assimilado,engolido, pelo Banco Itaú e passou a se chamar Itaú Portugues de Investimentos. Depois no final de 1976, a Carta Patente daquele Banco, em que a Sociedade Financeira Portuguesa tinha feito um investimento, foi vendida ao que é agora, o Banco Residência de Investimentos, tudo dentro da legislação brasileira.
A EMPAR é objeto de investigação aqui no BNDE. Ela foi fundada como EMPAR CIA BRASILEIRA DE EMPREENDIMENTOS PARTICIPAÇÕES, uma empresa de grande porte, criada com a finalidade de participar e também gerir empresas comerciais e industriais. O diretor presidente é o ex-embaixador Francisco Negrão de Lima e o diretor superintendente Gustavo Affonso Capanema. Outros membros da diretoria são Frank Louis Torresy, Boaventura Farina, José João Gonçalves Proença, Manoel Ignácio Vieira Machado, Vital Moura de Castro e Stephen David Corry. Tem uma participação num capital que é, oficialmente, suíço,mantém ligações com organizações inglesas e sul africanas através da Brasex Participações Ltda e não tenho dúvida de que esse capital é capital português em fuga. Mas nunca poderei prová-lo, portanto, não disse nada. No caso da José Olympio Editora a coisa é mais clara porque já foi tomada pelo BNDE. A DEX HOLDING é uma abreviatura de Explosivos. Realmente quem está por trás disso é a EXPLOSIVOS DA TRAFARIA, que é uma firma de Portugal “, declarou Jean Bernet.
“Mas qual é a origem da DEX HOLDING?”, perguntou o jornalista
“Ninguém pode dizer. Só o advogado deles em Genebra. A minha teoria é de que é remanescente do antigo capital de fuga porque saiu de Portugal e agora é considerado suíço. Quanto ao Antonio Gomes da Costa se dizer o legítimo representante da Sociedade Financeira Portuguesa, não acredito, porque a meu ver, é o Gustavo Affonso Capanema. O Negrão de Lima, coitado, vê a idade que ele tem, seria o testa-de-ferro. Você está lidando com gente esperta, extremamente astuta. Mais astutos do que eu e o senhor juntos. Então, se o senhor publicar amanhã que a DEX HOLDING, na Suíça, pertence a essa Sociedade Financeira Portuguesa, o senhor vai se dar mal, muito mal. Eu lavo as minhas mãos...”, finalizou.
Sociedade Financeira Portuguesa:
a Esfinge lusitana jamais desvendada
Na trilha do escândalo da Sociedade Financeira Portuguesa( SFP) concluímos :ninguém era estranho a ninguém. Através da composição das empresas enredadas com a EMPAR, dos seus corpos administrativos, fica-se logo sabendo que não havia estranhos no barco dessa grande aventura em que Portugal e os portugueses bancaram os riscos e os prejuízos.
Mesmo aos leigos em assuntos empresariais ou em questões jurídicas financeiras não escapa a percepção de que depois de “ naturalizados” os dólares portugueses, muito pouca ou nenhuma chance existia para a sua recuperação total.
Naquele ano de 1978 e para elaborar as reportagens que foram publicadas no jornal “ Folha de São Paulo” e “ Voz de Portugal”, jornalista José Cabral Falcão entrevistou o antigo embaixador Francisco Negrão de Lima:
“ Eu nem conheço qual é a Sociedade Financeira portuguesa... Não ! Sei alguns dados que eu tenho...é que ela foi da EMPAR. Mas isso já acabou. A Sociedade Financeira portuguesa já acabou.Já faz tempo. Há mais de oito meses. No princípio do ano passado. A EMPAR possuía uma participação da Sociedade Financeira Portuguesa. Uma espécie de empréstimo. Mas resolveu. Pagou e acabou. A Sociedade Financeira Portuguesa parece que existe no Brasil. O nome do português que está com ela... Gomes da Costa. Ele parece que era representante há algum tempo da Sociedade Financeira aqui no Brasil. O homem é muito inteligente. Ele escreve aí num jornal portugues também. É um jornalista brilhante. Ele tem escritório na rua do Passeio, 62/10º andar. O senhor pode aparecer lá. Ele se chama Antonio Gomes da Costa. Diz que esteve comigo e que eu lhe informei que ele ainda tinha vinculação com a Sociedade Financeira Portuguesa ou talvez fosse até seu representante. Na própria EMPAR ele atuou como representante da Sociedade Financeira Portuguesa. Teve gente de Portugal também. O advogado da Sociedade Financeira Portuguesa foi o dr. José Nabuco, ele tem escritório na Avenida Rio branco, 85, 8º andar “.
E também José Nabuco, o advogado da Sociedade Financiera Portuguesa
“Não tenho permissão para falar sobre isso. Á época em que advogava para essa Sociedade tudo foi de forma sigilosa. A problemática já era confidencial. Não posso falar nada. Não quero falar nada. O trabalho do jornalista é justamente o oposto do meu. Enquanto o senhor tem que divulgar os fatos, propagá-los, buscando a verdade, eu quase sempre tenho de ocultá-los. Desculpe mas não posso dizer nada. Não posso dar nenhuma entrevista. Não quero dar entrevistas. Quem poderá lhe falar da Sociedade será o Gomes da Costa, seu representante. Desculpe mas não posso ajudar “.
Desnecessário era que ambos apontassem Antonio Gomes da Costa como uma fonte clara para quem quisesse saber do “fantasma” da Sociedade Financeira Portuguesa. As ligações de Gomes da Costa no conglomerado de empresas, inclusive no grupo de explosivos, não o deixam oculto de forma alguma. Sua presença é uma constante.Em entrevista por telefone ,que transcrevemos na íntegra, Antonio Gomes da Costa, hoje diretor do Real Gabinete Portugues de Leitura e da Caixa de Socorros Pedro V a quem Antonio Braga, o desinformado secretario de Estado das Comunidades, atribuiu uma verba choruda durante a sua recente viagem ao Brasil, declarou:
“A Sociedade Financeira Portuguesa foi criada no governo de Marcelo Caetano. Ela é um organismo público como no Brasil a Petrobrás. Digamos que ela é uma sociedade de economia mista. Diversos bancos participavam dela, mas agora os bancos são nacionalizados. Então, praticamente, a Sociedade Financeira portuguesa é um organismo estatal. Ela tem sede em Lisboa. Ela tem uma participação no Banco itaú desde 1972, quando começou. Então era o Banco Portugues. Eu sou o representante da Sociedade Financeira Brasileira no Brasil. Sou o presidente das Assembléias. Quando tem de se tratar de assuntos no Banco Central, é comigo. Sou o procurador mas ela não funciona no Brasil. Não existe, não há uma entidade chamada Sociedade Financeira Portuguesa no Brasil. Nunca funcionou. Quer dizer, ela funcionava aqui através... A empresa que ela tinha, que era holding dela, era essa EMPAR. Está entendendo? Então quando a EMPAR se desvinculou dela, então ela desapareceu do Brasil, não tinha nada mais aqui...
Entre empréstimos e investimentos a Sociedade Financeira Portuguesa trouxe para o Brasil cerca de 80 milhões de dólares, mas, entre empréstimos e investimentos já foi muita coisa paga. Hoje praticamente os investimentos da Sociedade Financeira Portuguesa são no Banco Itaú. E tem ainda empréstimos a algumas empresas brasileiras. Não posso dar nomes porque isso é segredo. Não teria nada demais, mas acho que eticamente não é certo... No Banco Central o senhor não vai encontrar nada porque só tem os investimentos que a Sociedade fez. Qual é? O que o senhor quer encontrar da Sociedade? Eu, por exemplo, sei tudo sobre a Sociedade Financeira Portuguesa. Há certas... se o senhor quer saber coisas operacionais, ninguém vai lhe dar informações. Mas o senhor não vai publicar isso. Qual é a finalidade? Existe algum interesse nisto?
A Sociedade Financeira Portuguesa é uma empresa que tem participações ou tinha participações em determinadas empresas brasileiras. A EMPAR não tem mais ligações com a SFP. O senhor Negrão de Lima parece que esteve ligado à EMPAR. Mas Negrão de Lima não é do tempo da Sociedade, lá. Quando Negrão entrou, a Sociedade já tinha saído. Já não participava mais da EMPAR. A EMPAR é um grupo Ítalo-Americano—Torressy e Gustavo Capanema é que são as pessoas da EMPAR.
Alexandre Azevedo Vaz Pinto é o presidente da SFP. Ele mora em Lisboa. A SFP participa do Banco Itaú. Era o antigo Português do Brasil e hoje é o Banco Itaú. Eu não tenho nada a ver com a Sociedade Financeira Portuguesa. Eu trabalho no Banco Itaú “.
Através do roteiro da reportagem elaborada pelo jornalista José Cabral Falcão e publicada no jornal Voz de Portugal do Rio de Janeiro, a 19 de maio de 1978 cujos excertos publicamos aqui no Portugal Club, acompanhamos através de etapas habilmente planejadas, a saga da Sociedade Financeira Portuguesa desde que ela encabeçava o grupo financeiro, passando pela formação da sua holding na Suíça, a DEX HOLDING até o seu desaparecimento diluída na EMPAR brasileira.
Só uma verdade resta: não existe mais o capital português, aquele “capital em fuga”, evadido de Portugal para a Suíça, segundo um plano bem traçado e melhor executado com o apoio de figurões e o consequente tráfico de influência que permitiu que tudo se desenrolasse sem qualquer obstáculo, suspeição ou fiscalização. Enquanto Portugal procurava ajustar-se aos seus novos padrões políticos, a trama diabólica estrangulou a Sociedade Financeira Portuguesa. Hoje o que resta são as pegadas dos “ invisíveis” autores da evasão dos milhões de dólares e as peças da engrenagem, no Brasil, onde o dinheiro português chegou com carimbo suíço, até se perder no tortuoso labirinto descrito nas matérias que postamos aqui.
Eulália Moreno
( Leia toda a matéria no site www.portugalclub.org em "CRÒNICAS" pagina de Eulália Moreno
de: Eulalia Moreno
A Sociedade Financeira Portuguesa( SFP) foi constituída , durante o governo de Marcelo Caetano, com o objetivo de captar recursos financeiros para a construção da barragem de Cabora Bassa, em Moçambique. Tempos depois, a referida Sociedade ampliou os seus investimentos para o Brasil, investimentos esses que , segundo notícia publicada no jornal " Expresso", de Lisboa, em 11 de março de 1977, envolviam " 80 milhões de dólares em investimentos e empréstimos, repartidos pelo Banco Itaú e pelo grupo EMPAR ( Empreendimentos e Participações S.A)".
Antes de abril de 1974, o governo português detinha 55% de toda a participação empresarial da SFP, enquanto os investimentos privados representavam os restantes 45%. Com a derrubada do governo salazarista, a 25 de abril de 1974, o governo português decretou a nacionalização da SFP que assim passou a pertencer totalmente ao Estado português. Seus funcionários tornaram-se funcionários do governo, dentre eles Antonio Gomes da Costa ( atual presidente do Real Gabinete Portugues de Leitura e diretor da Caixa de Socorros Pedro V, na cidade do Rio de Janeiro).
O governo estatizou a SFP mas não conseguiu impedir a evasão dos seus recursos financeiros para o exterior. Parte deles foram transferidos para a Suiça, adquirindo assim a "nacionalidade" daquele país. Refugiados em Genebra, os diretores da SFP criaram a empresa " DEX HOLDING" e a registraram no Banco Central do Brasil.
Obtida a " nacionalidade" suiça , os recursos financeiros portugueses já devidamente " lavados" foram exportados para o Brasil e investidos em empresas já mantidas pelo grupo. Simultaneamente, os líderes do grupo desativaram a SFP, e a mesclaram com a "EMPAR" ( Empreendimentos e Participações S.A), empresa que tinha sido criada em 1971. E para bloquear qualquer risco de atrito diplomático entre o Brasil e Portugal, os cabecilhas não esqueceram de atribuir a "EMPAR" a característica de " Sociedade Anonima".
Graças a essa jogada de alcance político-diplomático tornaram-se ainda mais complicados os termos de negociações entre Lisboa e Brasília numa possível ação jurídica para repatriação dos fundos portugueses aplicados indevidamente no Brasil pela SFP, " engolida" pela EMPAR, uma sociedade anonima de empreendimentos e participações. Desaparecia assim a pessoa jurídica portuguesa alcançável pelas autoridades de Portugal.
Em 1978 o então Ministro das Finanças de Portugal, Victor Constâncio, que acompanhava o presidente Ramalho Eanes numa visita oficial ao Brasil, interrogado sobre o assunto, declarou à imprensa brasileira:
" O aspecto mais difícil para a normalização das relações economico-financeiras entre Brasil e Portugal está ligado ao esforço do governo portugues para o repatriamento de milhões de dólares trazidos para o território brasileiro pelo consórcio empresarial Sociedade Financeira Portuguesa- SFP- após a morte de Salazar. A dificuldade para a devolução desses dólares está no fato de que a filial da SFP no Brasil mudou de nome e deixou juridicamente de existir, enquanto a matriz era estatizada após a revolução de abril de 1974. A SFP investiu no Brasil de forma diversificada, atuando nos ramos dos seguros, explosivos, bancos e, com menos recursos nos setores editorial e gráfico".
A seguir, a transcrição de algumas notícias publicadas:
Os dólares que fugiram de Portugal
Negócio do Ramalho Eanes, entre miudezas avulsas para o folclore noticioso da grande imprensa era o seguinte: tentar pegar de volta US$ 45 milhões de capital fugitivo dos US$ 80 milhões desviados, após o 25 de abril, da Sociedade Financeira Portuguesa, fundada por Salazar com recursos estatais e privados para investir em África e que se " asilaram" no Brasil sob a égide da EMPAR- Empreendimentos e Participações S/A.
Essa holding brasileira que tem como testa-de-ferro o " grande amigo" de Portugal que é o embaixador Negrão de Lima, diluiu a copiosa grana por canais diversos, entre os quais o Grupo Itaú, o Banco Residência de Investimentos, a Cobrex-Sociedade Brasileira de Explosivos, a Rupturita- Sociedade Brasileira de Explosivos, a Seguros Ipiranga ( Gustavo Capanema) e outra. O grande animador da EMPAR é o notório Gomes da Costa, frequentador eventual da página 11 do Jornal do Brasil e da página 3 de O Globo, além de editorialista contumaz de " O Mundo Portugues", órgão carioca da cúpula salazarista da colonia lusa, onde semanalmente derrama lágrimas de crocodilo sobre a bancarrota a que o " gonçalvismo" conduziu Portugal e exige de Ramalho Eanes, restaurador do capitalismo, o saneamento à esquerda.
Um notável patriota. Agora, só com as ações que ele tem no Itaú, eu passava o resto da vida numa rede, me abanando com o citado semanário. Mas, desgraçadamente, jamais fui um patriota...
Armindo Blanco, Jornal O Pasquim, 26 de Maio de 1978
Eanes tenta repatriar tudo o que a Financeira Portuguesa trouxe
O ministro das Finanças de Portugal, Victor Constâncio, confirmou na sexta feira que o aspecto mais intricado do chamado " contencioso português", se refere ao esforço para repatriamento de milhões de dólares trazidos para o Brasil pelo consórcio empresarial Sociedade Financeira Portuguesa( SFP), depois da morte de Salazar.
Constâncio explicou que esse assunto tomou muito tempo nas conversas entre autoridades diplomáticas e financeiras do Brasil e de Portugal, na atual visita do presidente Ramalho Eanes a Brasília e Rio de Janeiro. A dificuldade para a devolução desses dólares está no fato de que a filial da SFP no Brasil mudou de nome e deixou juridicamente de existir como tal, enquanto a matriz era estatizada após a revolução de abril de 1974.
O ministro confirmou que a SFP investiu no Brasil de forma diversificada, atuando nos ramos dos seguros, explosivos e bancos, e com menos recursos, nos setores editorial e gráfico. Falando sobre o problema, rapidamente, enquanto o presidente Eanes visitava o Museu de Arte Moderna do Rio, Constâncio admitiu que, apesar, da estatização do consórcio empresarial portugues, não foi possível ao governo português evitar a evasão dos recursos para o exterior.
D.C.I - Diário do Comércio e Indústria ( data não determinada)
O Banco Central garantiu ontem que não há qualquer registro de entrada de recursos no Brasil através da Sociedade Financeira Portuguesa. Esses recursos estariam agora mobilizando as autoridades daquele país na tentativa de repatriar cerca de 46 milhões de dólares retirados ilegalmente de Portugal após a queda do governo de Oliveira Salazar, com a Revolução de 25 de abril de 1974. Segundo o Banco Cntral, se esse capital entrou no país foi através de uma outra empresa qualquer, possivelmente a " Dex Holding" criada na Suiça pela diretoria da Sociedade Financeira Portuguesa e logo em seguida registrada no Banco Central do Brasil. As conversações sobre o retorno desses recursos a Portugal foram inicadas em 1975 entre os governos dos dois países e estariam agora na pauta da visita que o presidente Ramalho Eanes faz ao Brasil .
As denúncias
A Sociedade Financeira Portuguesa foi nacionalizada após a derrubada ro regime salazarista pelo governo portugues, mas este não conseguiu impedir que os recursos saíssem ilegalmente do país. Parte foram transferidos para Genebra, adquirindo a nacionalidade suiça ,posteriormente exportados para o Brasil e investidos em algumas empresas já mantidas pelo grupo. Paralelamente a diretoria da " Dex Holding" desativou no Brasil a sociedade que seria substituída pela " EMPAR", segundo o Banco Central. Atualmente a empresa se encontra sob intervenção do Banco Nacional do Desenvolvimento Economico, assim como a editoria José Olímpio, que também teria recebido parte dos recursos aplicados ilegalmente no Brasil.
A " EMPAR" opera no ramo de coordenação ou realização de empreendimentos industriais e comerciais, prestação de serviços, promoção de contratos com organismos comerciais, etc... Seu presidente é o ex-embaixador do Brasil em Portugal, Francisco Negrão de Lima, eleito em março do ano passado.
Quanto à Sociedade Financeira Portuguesa é uma espécie de empresa de economia mista, criada no governo de Marcelo Caetano, com a participação de diversos bancos, que agora estão nacionalizados, o que a deixa atualmente como um organismo estatal. Ela também tem participação no Banco Itaú desde 1972, quando começou. Entre empréstimos e investimentos, a Sociedade Financeira Portuguesa trouxe para o Brasil cerca de 80 milhões de dólares, mas hoje praticamente os investimentos estão todos no Banco Itaú.
Sociedade Financeira Portuguesa
Empresas de explosivos detonam dólares da Sociedade Financeira Portuguesa
De: Eulália Moreno
Em 1978 a visita do então presidente Ramalho Eanes ao Brasil era a última esperança de Portugal reaver parte dos dólares saqueados dos seus cofres e levados para a Suíça, numa trama internacional que lesou os interesses do país e dos portugueses.
O tráfico de influência garantiu a execução do plano, numa teia habilidosa que culminou com o desaparecimento da Sociedade Financeira Portuguesa( SFP), derrubada por uma complicada fórmula jurídica que tornou impossível a apuração direta por parte do governo de Portugal.
Com a “ naturalização” suíça dos milhões de dólares portugueses, a sua transferência para aplicações no Brasil e a extinção da SFP através da “ laranja” EMPAR ,fecharam-se os caminhos para apurar e revelar os autores e beneficiados do grande saque aos cofres de Portugal.
No Brasil, um complexo comercial-financeiro, envolvendo personalidades influentes no Brasil, como embaixadores, industriais e banqueiros, garantiu a impunidade dos responsáveis pelo escândalo do “ capital em fuga” levado fronteira afora em seguida à queda do regime salazarista. Os arquitetos do golpe e através da EMPAR estenderam os seus tentáculos a empresas, a maioria delas ligada à fabricação e comercialização de explosivos, tais como a COBREX- Companhia Brasileira de Explosivos, Rupturita S/A- Explosivos, EXPLO- Indústria Química e Explosivos, grupo Itaú, Banco Residência de Investimentos S/A, Companhia Sul Brasil de Seguros, Companhia de Seguros Ipiranga, Fidelidade S/A Crédito e Investimentos, Nordeste de Seguros, Anchieta de Seguros e várias outras.
Diante das dificuldades para a apuração do grande golpe internacional, somente os entendimentos diretos, governo a governo, poderiam levar ao esclarecimento total e , possivelmente, à recuperação da parte dos milhões de dólares espoliados dos cofres portugueses.
Ramalho Eanes nada fêz em 1978 como nada tinha feito Mario Soares quando como Primeiro Ministro em visita ao Brasil em 1977, foi informado e preferiu segundo um editorial do jornal “ Voz de Portugal” do Rio de Janeiro “ passear a sua carismática figura do que mergulhar nos complexos assuntos que envolviam o meio econômico luso-brasileiro”. Um perito econômico, Alves Condes e outro jurídico, Celestino dos Santos, deram prosseguimento aos entendimentos iniciados em 1975 ,sem, contudo, nada concretizar.
De salientar e louvar a coragem do jornal “ Voz de Portugal” que deu visibilidade às investigações do jornalista José Cabral Falcão publicando-as, na íntegra.
O mistério em torno do desvio dos milhões de dólares tem uma tônica muito curiosa: ninguém sabe, ninguém viu, ninguém conhece. Aquele mesmo código de honra que caracteriza o comportamento de elementos do crime organizado como a Máfia italiana. Quando se fala da Sociedade Financeira Portuguesa ouvimos comentários como: “ A SFP é coisa do passado, como o salazarismo também é do passado. Os dois estão relativamente ligados e, consequentemente, não existe mais a SFP”.
Jean Bernet, então assessor do Banco Nacional do Desenvolvimento Economico ( BNDE), hoje BNDES, embora relutante ,recebeu o jornalista José Cabral Falcão que narra o encontro:
Jean Bernet é um homem cauteloso, seus documentos são dele, não empresta, não vende, nem troca. É um suíço da melhor estirpe em matéria de silêncio e segredo. Um homem conveniente a todos os implicados no esquema do “ capital em fuga” que lesou o tesouro português.
“Sou o único que poderá dar informações sobre a Sociedade Financeira Portuguesa porque tudo se cruzou por aqui. Mas, não quero processo em cima de mim, não vou lhe dar o organograma da DEX HOLDING. O Banco Itaú é um investimento que a ex-Sociedade Financeira Portuguesa tinha no ex-Banco Português de Investimentos, do José Adolpho da Silva Gordo. Depois, esse Banco Portugues foi assimilado,engolido, pelo Banco Itaú e passou a se chamar Itaú Portugues de Investimentos. Depois no final de 1976, a Carta Patente daquele Banco, em que a Sociedade Financeira Portuguesa tinha feito um investimento, foi vendida ao que é agora, o Banco Residência de Investimentos, tudo dentro da legislação brasileira.
A EMPAR é objeto de investigação aqui no BNDE. Ela foi fundada como EMPAR CIA BRASILEIRA DE EMPREENDIMENTOS PARTICIPAÇÕES, uma empresa de grande porte, criada com a finalidade de participar e também gerir empresas comerciais e industriais. O diretor presidente é o ex-embaixador Francisco Negrão de Lima e o diretor superintendente Gustavo Affonso Capanema. Outros membros da diretoria são Frank Louis Torresy, Boaventura Farina, José João Gonçalves Proença, Manoel Ignácio Vieira Machado, Vital Moura de Castro e Stephen David Corry. Tem uma participação num capital que é, oficialmente, suíço,mantém ligações com organizações inglesas e sul africanas através da Brasex Participações Ltda e não tenho dúvida de que esse capital é capital português em fuga. Mas nunca poderei prová-lo, portanto, não disse nada. No caso da José Olympio Editora a coisa é mais clara porque já foi tomada pelo BNDE. A DEX HOLDING é uma abreviatura de Explosivos. Realmente quem está por trás disso é a EXPLOSIVOS DA TRAFARIA, que é uma firma de Portugal “, declarou Jean Bernet.
“Mas qual é a origem da DEX HOLDING?”, perguntou o jornalista
“Ninguém pode dizer. Só o advogado deles em Genebra. A minha teoria é de que é remanescente do antigo capital de fuga porque saiu de Portugal e agora é considerado suíço. Quanto ao Antonio Gomes da Costa se dizer o legítimo representante da Sociedade Financeira Portuguesa, não acredito, porque a meu ver, é o Gustavo Affonso Capanema. O Negrão de Lima, coitado, vê a idade que ele tem, seria o testa-de-ferro. Você está lidando com gente esperta, extremamente astuta. Mais astutos do que eu e o senhor juntos. Então, se o senhor publicar amanhã que a DEX HOLDING, na Suíça, pertence a essa Sociedade Financeira Portuguesa, o senhor vai se dar mal, muito mal. Eu lavo as minhas mãos...”, finalizou.
Sociedade Financeira Portuguesa:
a Esfinge lusitana jamais desvendada
Na trilha do escândalo da Sociedade Financeira Portuguesa( SFP) concluímos :ninguém era estranho a ninguém. Através da composição das empresas enredadas com a EMPAR, dos seus corpos administrativos, fica-se logo sabendo que não havia estranhos no barco dessa grande aventura em que Portugal e os portugueses bancaram os riscos e os prejuízos.
Mesmo aos leigos em assuntos empresariais ou em questões jurídicas financeiras não escapa a percepção de que depois de “ naturalizados” os dólares portugueses, muito pouca ou nenhuma chance existia para a sua recuperação total.
Naquele ano de 1978 e para elaborar as reportagens que foram publicadas no jornal “ Folha de São Paulo” e “ Voz de Portugal”, jornalista José Cabral Falcão entrevistou o antigo embaixador Francisco Negrão de Lima:
“ Eu nem conheço qual é a Sociedade Financeira portuguesa... Não ! Sei alguns dados que eu tenho...é que ela foi da EMPAR. Mas isso já acabou. A Sociedade Financeira portuguesa já acabou.Já faz tempo. Há mais de oito meses. No princípio do ano passado. A EMPAR possuía uma participação da Sociedade Financeira Portuguesa. Uma espécie de empréstimo. Mas resolveu. Pagou e acabou. A Sociedade Financeira Portuguesa parece que existe no Brasil. O nome do português que está com ela... Gomes da Costa. Ele parece que era representante há algum tempo da Sociedade Financeira aqui no Brasil. O homem é muito inteligente. Ele escreve aí num jornal portugues também. É um jornalista brilhante. Ele tem escritório na rua do Passeio, 62/10º andar. O senhor pode aparecer lá. Ele se chama Antonio Gomes da Costa. Diz que esteve comigo e que eu lhe informei que ele ainda tinha vinculação com a Sociedade Financeira Portuguesa ou talvez fosse até seu representante. Na própria EMPAR ele atuou como representante da Sociedade Financeira Portuguesa. Teve gente de Portugal também. O advogado da Sociedade Financeira Portuguesa foi o dr. José Nabuco, ele tem escritório na Avenida Rio branco, 85, 8º andar “.
E também José Nabuco, o advogado da Sociedade Financiera Portuguesa
“Não tenho permissão para falar sobre isso. Á época em que advogava para essa Sociedade tudo foi de forma sigilosa. A problemática já era confidencial. Não posso falar nada. Não quero falar nada. O trabalho do jornalista é justamente o oposto do meu. Enquanto o senhor tem que divulgar os fatos, propagá-los, buscando a verdade, eu quase sempre tenho de ocultá-los. Desculpe mas não posso dizer nada. Não posso dar nenhuma entrevista. Não quero dar entrevistas. Quem poderá lhe falar da Sociedade será o Gomes da Costa, seu representante. Desculpe mas não posso ajudar “.
Desnecessário era que ambos apontassem Antonio Gomes da Costa como uma fonte clara para quem quisesse saber do “fantasma” da Sociedade Financeira Portuguesa. As ligações de Gomes da Costa no conglomerado de empresas, inclusive no grupo de explosivos, não o deixam oculto de forma alguma. Sua presença é uma constante.Em entrevista por telefone ,que transcrevemos na íntegra, Antonio Gomes da Costa, hoje diretor do Real Gabinete Portugues de Leitura e da Caixa de Socorros Pedro V a quem Antonio Braga, o desinformado secretario de Estado das Comunidades, atribuiu uma verba choruda durante a sua recente viagem ao Brasil, declarou:
“A Sociedade Financeira Portuguesa foi criada no governo de Marcelo Caetano. Ela é um organismo público como no Brasil a Petrobrás. Digamos que ela é uma sociedade de economia mista. Diversos bancos participavam dela, mas agora os bancos são nacionalizados. Então, praticamente, a Sociedade Financeira portuguesa é um organismo estatal. Ela tem sede em Lisboa. Ela tem uma participação no Banco itaú desde 1972, quando começou. Então era o Banco Portugues. Eu sou o representante da Sociedade Financeira Brasileira no Brasil. Sou o presidente das Assembléias. Quando tem de se tratar de assuntos no Banco Central, é comigo. Sou o procurador mas ela não funciona no Brasil. Não existe, não há uma entidade chamada Sociedade Financeira Portuguesa no Brasil. Nunca funcionou. Quer dizer, ela funcionava aqui através... A empresa que ela tinha, que era holding dela, era essa EMPAR. Está entendendo? Então quando a EMPAR se desvinculou dela, então ela desapareceu do Brasil, não tinha nada mais aqui...
Entre empréstimos e investimentos a Sociedade Financeira Portuguesa trouxe para o Brasil cerca de 80 milhões de dólares, mas, entre empréstimos e investimentos já foi muita coisa paga. Hoje praticamente os investimentos da Sociedade Financeira Portuguesa são no Banco Itaú. E tem ainda empréstimos a algumas empresas brasileiras. Não posso dar nomes porque isso é segredo. Não teria nada demais, mas acho que eticamente não é certo... No Banco Central o senhor não vai encontrar nada porque só tem os investimentos que a Sociedade fez. Qual é? O que o senhor quer encontrar da Sociedade? Eu, por exemplo, sei tudo sobre a Sociedade Financeira Portuguesa. Há certas... se o senhor quer saber coisas operacionais, ninguém vai lhe dar informações. Mas o senhor não vai publicar isso. Qual é a finalidade? Existe algum interesse nisto?
A Sociedade Financeira Portuguesa é uma empresa que tem participações ou tinha participações em determinadas empresas brasileiras. A EMPAR não tem mais ligações com a SFP. O senhor Negrão de Lima parece que esteve ligado à EMPAR. Mas Negrão de Lima não é do tempo da Sociedade, lá. Quando Negrão entrou, a Sociedade já tinha saído. Já não participava mais da EMPAR. A EMPAR é um grupo Ítalo-Americano—Torressy e Gustavo Capanema é que são as pessoas da EMPAR.
Alexandre Azevedo Vaz Pinto é o presidente da SFP. Ele mora em Lisboa. A SFP participa do Banco Itaú. Era o antigo Português do Brasil e hoje é o Banco Itaú. Eu não tenho nada a ver com a Sociedade Financeira Portuguesa. Eu trabalho no Banco Itaú “.
Através do roteiro da reportagem elaborada pelo jornalista José Cabral Falcão e publicada no jornal Voz de Portugal do Rio de Janeiro, a 19 de maio de 1978 cujos excertos publicamos aqui no Portugal Club, acompanhamos através de etapas habilmente planejadas, a saga da Sociedade Financeira Portuguesa desde que ela encabeçava o grupo financeiro, passando pela formação da sua holding na Suíça, a DEX HOLDING até o seu desaparecimento diluída na EMPAR brasileira.
Só uma verdade resta: não existe mais o capital português, aquele “capital em fuga”, evadido de Portugal para a Suíça, segundo um plano bem traçado e melhor executado com o apoio de figurões e o consequente tráfico de influência que permitiu que tudo se desenrolasse sem qualquer obstáculo, suspeição ou fiscalização. Enquanto Portugal procurava ajustar-se aos seus novos padrões políticos, a trama diabólica estrangulou a Sociedade Financeira Portuguesa. Hoje o que resta são as pegadas dos “ invisíveis” autores da evasão dos milhões de dólares e as peças da engrenagem, no Brasil, onde o dinheiro português chegou com carimbo suíço, até se perder no tortuoso labirinto descrito nas matérias que postamos aqui.
Eulália Moreno
( Leia toda a matéria no site www.portugalclub.org em "CRÒNICAS" pagina de Eulália Moreno
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Estado do Sítio - Offshore socialista
A última novidade do Governo socialista do senhor presidente do Conselho é uma coisa chamada Fundação para as Comunicações Móveis. Esta entidade, cozinhada no gabinete do ministro Lino ex-TGV e ex-aeroportos da Ota e Alcochete, foi a contrapartida exigida pelo Governo a três operadores para obterem as licenças dos telemóveis de terceira geração. É privada, tem um conselho geral com três membros nomeados pelo Executivo e um conselho de administração com três elementos, presidido por um ex-membro do gabinete do impagável Lino, devidamente remunerado, e dois assessores do senhor que está cansado de aturar o senhor presidente do Conselho e já não tem idade para ser ministro.
Chegados aqui vamos à massa. Os três operadores meteram até agora na querida fundação 400 milhões de euros, uma parte do preço a pagar pelas tais licenças. O Estado, por sua vez, desviou para esta verdadeira offshore socialista 61 milhões de euros. E pronto. De uma penada temos uma entidade privada, que até agora sacou 461 milhões de euros, gerida por três fiéis do ministro Lino, isto é, três fiéis do senhor presidente do Conselho. É evidente que esta querida fundação não é controlada por nenhuma autoridade e movimenta a massa como quer e lhe apetece, isto é, como apetece ao senhor presidente do Conselho.
Chegados aqui tudo é possível. Chegados aqui é legítimo considerar que as Fátimas, Isaltinos, Valentins, Avelinos e comandita deste sítio manhoso, pobre, deprimido, cheio de larápios e obviamente cada vez mais mal frequentado não passam de uns meros aprendizes de feiticeiro ao pé da equipa dirigida com mão de ferro e rédea curta pelo senhor presidente do Conselho.
Chegados aqui é legítimo dar largas à imaginação e pensar que a querida fundação, para além de ter comprado a uma empresa uma batelada de computadores Magalhães sem qualquer concurso, pode pagar o que bem lhe apetecer, como campanhas eleitorais do PS e dos seus candidatos a autarquias, e fazer muita gente feliz com os milhões que o Estado generosamente lhe colocou nos cofres.
Chegados aqui é natural que se abra a boca de espanto com o silêncio das autoridades, particularmente do senhor procurador-geral da República, justiceiro que tem toda a gente sob suspeita. Chegados aqui é legítimo pensar que a fundação privada criada pelo senhor presidente do Conselho é um enorme paraíso fiscal, uma enorme lavandaria democrática.
António Ribeiro Ferreira - Lisboa
Chegados aqui vamos à massa. Os três operadores meteram até agora na querida fundação 400 milhões de euros, uma parte do preço a pagar pelas tais licenças. O Estado, por sua vez, desviou para esta verdadeira offshore socialista 61 milhões de euros. E pronto. De uma penada temos uma entidade privada, que até agora sacou 461 milhões de euros, gerida por três fiéis do ministro Lino, isto é, três fiéis do senhor presidente do Conselho. É evidente que esta querida fundação não é controlada por nenhuma autoridade e movimenta a massa como quer e lhe apetece, isto é, como apetece ao senhor presidente do Conselho.
Chegados aqui tudo é possível. Chegados aqui é legítimo considerar que as Fátimas, Isaltinos, Valentins, Avelinos e comandita deste sítio manhoso, pobre, deprimido, cheio de larápios e obviamente cada vez mais mal frequentado não passam de uns meros aprendizes de feiticeiro ao pé da equipa dirigida com mão de ferro e rédea curta pelo senhor presidente do Conselho.
Chegados aqui é legítimo dar largas à imaginação e pensar que a querida fundação, para além de ter comprado a uma empresa uma batelada de computadores Magalhães sem qualquer concurso, pode pagar o que bem lhe apetecer, como campanhas eleitorais do PS e dos seus candidatos a autarquias, e fazer muita gente feliz com os milhões que o Estado generosamente lhe colocou nos cofres.
Chegados aqui é natural que se abra a boca de espanto com o silêncio das autoridades, particularmente do senhor procurador-geral da República, justiceiro que tem toda a gente sob suspeita. Chegados aqui é legítimo pensar que a fundação privada criada pelo senhor presidente do Conselho é um enorme paraíso fiscal, uma enorme lavandaria democrática.
António Ribeiro Ferreira - Lisboa
quinta-feira, 28 de maio de 2009
MULHER DORMINDO
Apenas a alma dorme o corpo insone trabalha os minérios do sono sustenta o pânico o naufrágio na penumbra fogo e relva os músculos dançam debruçados sobre o nada os olhos não os olhos sonham à sombra da alma - e sobrevivem ao dilúvio.
'Fernando Fábio Fiorese Furtado'
'Fernando Fábio Fiorese Furtado'
sábado, 18 de abril de 2009
A FABULA DE COMO O PS SE TRANSFORMOU NUM ARQUIPELAGO DE PEQUENOS INTERESSES
Alberto Caeiro, um poeta que estava dentro do Fernando Pessoa, disse uma vez que "teve um sonho como uma fotografia". Pois eu, meus amigos, tive um sonho como uma BD. Era assim:
Havia um imenso continente chamado Socialândia - ou PS - onde viviam mais ou menos felizes muitas pessoas. Um dia, esse continente foi afectado pela queda de um meteorito, accionado por uma força chamada maioria absoluta, e fraccionou-se em diversas ilhas. A maior delas ficou como centro de decisão; as outras, eram muito mais pequenas e ficaram isoladas. Umas muito longe da maior, outras mais perto. No meu sonho eu sobrevoava essas ilhas e ia falando com os náufragos, ouvido as suas queixas.
Numa das ilhas mais longínquas, estava Ferro Rodrigues rodeado de números. Queixava-se de que tinha tentado voltar ao centro, mas que era difícil. Não só por que a sua ilha era agradável, como porque na maior estava lá um tipo armado em São Pedro, chamado Santos Silva, que decidia quem pertencia e não ao verdadeiro PS.
Noutra ilha, também distante, estava João Cravinho, rodeado de projectos. Disse-me que tinha acenado várias vezes, mas que ninguém lhe ligava. Além disso, tinha receio de que o Lello, outro dos guardiães, o insultasse.
Guterres viva numa ilha rodeado de miseráveis aos quais distribuía conforto. Não queria voltar. A implosão, disse-me, tinha sido boa para ele, porque estava farto daquela gente.
Curiosamente, esta era também a opinião de Jorge Sampaio, que estava rodeado de tuberculosos aos quais tentava curar. Não lhe apetecia voltar ao centro...
António Vitorino estava numa ilha pequenina, mas cheia de negócios e com um programa num canal de televisão. Dizia umas coisas, organizava outras e, de vez em quando, conseguia chegar à ilha maior. Porém, voltava logo à sua. Dizia que estava bem assim.
Noutra ilhota, cheia de camiões, escavadoras e guindastes, estava Jorge Coelho. Esse não dizia nada. Fingia que não existia e recomendava o mesmo aos outros.
Um pouco adiante, estava Mário Soares com uma fundação. De vez em quando dizia umas coisas que o Santos Silva não gostava, mas mais nada.
Jaime Gama estava numa ilha mais pequena do que ele próprio e fazia elogios estranhos aos inimigos da ilha grande. Gama era um mistério.
Numa ilha de dimensões apreciáveis estava o Manuel Alegre, que o Santos Silva detestava. Alegre gostava de não ser confundido com os da ilha grande. Tentava a independência, mas faltavam-lhe recursos.
Por último, no centro, estava Sócrates rodeado por Vara, por Santos Silva, por Lello e por milhares de acólitos. Naquela ilha incensava-se o chefe.
Havia quem se lembrasse dos tempos do continente, quando Ferro, Cravinho, Guterres, Sampaio, Vitorino, Coelho, Soares, Gama e Alegre faziam parte da vida da comunidade e tinham opiniões que eram escutadas. Mas mal Santos Silva (ou outros dos guardiães da nomenclatura) descobria que alguém se lembrava disso, arrumava a trouxa do dissidente e enviava-o para uma das muitas ilhas desertas que por ali existiam.
Foi assim que o que era dantes o PS se transformou num pequeno oceano cheio de contradições e num grande arquipélago de pequenos interesses.
‘Comendador Marques Correia’
Havia um imenso continente chamado Socialândia - ou PS - onde viviam mais ou menos felizes muitas pessoas. Um dia, esse continente foi afectado pela queda de um meteorito, accionado por uma força chamada maioria absoluta, e fraccionou-se em diversas ilhas. A maior delas ficou como centro de decisão; as outras, eram muito mais pequenas e ficaram isoladas. Umas muito longe da maior, outras mais perto. No meu sonho eu sobrevoava essas ilhas e ia falando com os náufragos, ouvido as suas queixas.
Numa das ilhas mais longínquas, estava Ferro Rodrigues rodeado de números. Queixava-se de que tinha tentado voltar ao centro, mas que era difícil. Não só por que a sua ilha era agradável, como porque na maior estava lá um tipo armado em São Pedro, chamado Santos Silva, que decidia quem pertencia e não ao verdadeiro PS.
Noutra ilha, também distante, estava João Cravinho, rodeado de projectos. Disse-me que tinha acenado várias vezes, mas que ninguém lhe ligava. Além disso, tinha receio de que o Lello, outro dos guardiães, o insultasse.
Guterres viva numa ilha rodeado de miseráveis aos quais distribuía conforto. Não queria voltar. A implosão, disse-me, tinha sido boa para ele, porque estava farto daquela gente.
Curiosamente, esta era também a opinião de Jorge Sampaio, que estava rodeado de tuberculosos aos quais tentava curar. Não lhe apetecia voltar ao centro...
António Vitorino estava numa ilha pequenina, mas cheia de negócios e com um programa num canal de televisão. Dizia umas coisas, organizava outras e, de vez em quando, conseguia chegar à ilha maior. Porém, voltava logo à sua. Dizia que estava bem assim.
Noutra ilhota, cheia de camiões, escavadoras e guindastes, estava Jorge Coelho. Esse não dizia nada. Fingia que não existia e recomendava o mesmo aos outros.
Um pouco adiante, estava Mário Soares com uma fundação. De vez em quando dizia umas coisas que o Santos Silva não gostava, mas mais nada.
Jaime Gama estava numa ilha mais pequena do que ele próprio e fazia elogios estranhos aos inimigos da ilha grande. Gama era um mistério.
Numa ilha de dimensões apreciáveis estava o Manuel Alegre, que o Santos Silva detestava. Alegre gostava de não ser confundido com os da ilha grande. Tentava a independência, mas faltavam-lhe recursos.
Por último, no centro, estava Sócrates rodeado por Vara, por Santos Silva, por Lello e por milhares de acólitos. Naquela ilha incensava-se o chefe.
Havia quem se lembrasse dos tempos do continente, quando Ferro, Cravinho, Guterres, Sampaio, Vitorino, Coelho, Soares, Gama e Alegre faziam parte da vida da comunidade e tinham opiniões que eram escutadas. Mas mal Santos Silva (ou outros dos guardiães da nomenclatura) descobria que alguém se lembrava disso, arrumava a trouxa do dissidente e enviava-o para uma das muitas ilhas desertas que por ali existiam.
Foi assim que o que era dantes o PS se transformou num pequeno oceano cheio de contradições e num grande arquipélago de pequenos interesses.
‘Comendador Marques Correia’
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Canção dos Xutos e Pontapés está a ser transformada em manifesto contra Sócrates
Quem conhecer a discografia dos Xutos & Pontapés sabe que o cariz de intervenção e alerta social marcaram sempre presença nas letras das músicas. Mas os membros desta banda nunca quiseram vestir a roupagem de “líderes de uma revolução política”, nem apoiam, enquanto colectivo, qualquer partido político, assegura Zé Pedro, guitarrista dos Xutos. Por isso, é com alguma surpresa que o grupo assiste à euforia em torno da canção “Sem eira nem beira”, que integra o novíssimo álbum Xutos & Pontapés, disco de originais que foi lançado na passada semana.
Interpretar esta faixa, cantada pelo baterista Kalu, como um hino contra as políticas do Governo socialista é "deturpar" a intenção do grupo. "Não há aqui alvos a abater", diz, em resposta ao facto de o refrão começar com a frase Senhor engenheiro, dê-me um pouco de atenção. "Não queremos fazer um ataque político a ninguém. A letra exprime mais um grito de revolta. E é um alerta para o estado da Justiça e para uma classe política em geral que, volta e meia, toma atitudes que deixam os cidadãos desamparados", justifica.
O grupo não poderia prever o impacto desta faixa do disco que celebra os 30 anos de carreira do colectivo e que será apresentado pela primeira vez ao vivo a 24 de Abril, no Seixal. Neste contexto, Zé Pedro insiste que qualquer aproveitamento da música para criticar e contestar o Governo não receberá a "solidariedade" dos Xutos.
Zé Pedro, que, diz, até "simpatiza" com o primeiro-ministro José Sócrates, aponta ainda que quando Tim, o vocalista, escreveu o texto para a música de Kalu, tiveram de optar entre "senhor engenheiro" e "senhor doutor": "Optámos por engenheiro por causa do actual primeiro-ministro, mas nunca quisemos fazer um ataque político directo."
Tim escreveu a letra de Sem eira nem beira já em estúdio, conta Zé Pedro, e "em cima da hora". "Falámos que seria interessante trabalhar uma temática de intervenção e com alguma rebeldia, porque a música é do Kalu e seria ele a cantá-la", afirma.
Vídeos no YouTube
O guitarrista dos Xutos não viu o vídeo transmitido no Jornal Nacional da TVI, no passado fim-de-semana - imagens de José Sócrates em inaugurações e na Assembleia da República, tendo em fundo a música Sem eira nem beira. Mas Zé Pedro não tem dúvidas de que a ideia da TVI foi uma "deturpação" das "intenções" dos Xutos.
Depois da iniciativa da TVI já surgiram mais duas montagens em vídeo no YouTube: ambas utilizam a música dos Xutos e são ilustradas com Sócrates e vários membros do Governo; há imagens das manifestações dos professores, dos protestos dos alunos, do centro comercial Freeport, Manuel Alegre em versão "gato das botas" e um cartaz do filme Os Intocáveis com as personagens Sócrates, Isaltino Morais, Dias Loureiro e Fátima Felgueiras.
Os comentários, laudatórios, partilham a leitura política: "Esta música tem um destino: J. Sócrates"; "é nosso dever exigir políticos sérios e competentes"; "é uma música para puxar pelo povo, para 'dar força para lutar'"; "a letra retrata muito bem a nossa actual situação".
Sócrates não reage
O Gabinete do primeiro-ministro José Sócrates, através do assessor de imprensa Luís Bernardo, disse que nada havia a comentar. Também o PSD não comentou o assunto.
Já o PCP não considera que haja nenhuma situação especial em relação a este tema dos Xutos. O assessor de imprensa, António Rodrigues, declarou ao PÚBLICO: "Quanto à música, não queremos fazer termos de comparação, embora, na nossa opinião, nestes 30 anos, os Xutos tenham tido, além da qualidade de ordem estética, temas com preocupações sociais, cremos que esta música se insere nesses temas."
Mas não excluem poderem vir a usar esta música nas campanhas eleitorais que se aproximam. "Não há ponderação ainda feita sobre que músicas vamos usar, logo também não sobre esta em concreto", disse.
O líder do BE, Francisco Louçã, começou por comentar ao PÚBLICO que não só conhece a música como viu, "ao vivo, a música a ser apresentada, no concerto de aniversário dos Xutos". Mas também o BE não decidiu ainda sobre que músicas utilizará de campanha. Fazendo o paralelo em relação a outras músicas que foram vistas como contra o sistema, caso do FMI de José Mário Branco ou do Talvez... de Pedro Abrunhosa, Louçã considera que se trata de "momentos diferentes, que marcaram tempos diferentes". Particularmente, sobre este tema dos Xutos, Louçã considera que ele "revela um certo cansaço de uma certa geração com uma certa forma de governar" e conclui: "É um manifesto do Xutos. Provavelmente entrará depressa na iconografia popular. Admito que seja uma palavra de ordem de grandes manifestações, mas não creio que os partidos vão usar."
Por sua vez, o CDS relativiza o impacto político específico que a música possa ter. Diogo Feio começou por salvaguardar que não conhece a música: "Não ouvi, mas já ouvi falar da música". E afirma que, para o CDS, a liberdade artística é um valor por si: "Os autores muitas vezes utilizam imagens de crítica social e política de acordo até com as suas ideologias, e as músicas ficam com quem as faz", afirmou Diogo Feio. "A liberdade artística tem de ser respeitada e as pessoas que ouvem analisam e aderem ou não aderem. Há músicas mais críticas, outras menos, e de tempos a tempos surgem músicas assim."
Interpretar esta faixa, cantada pelo baterista Kalu, como um hino contra as políticas do Governo socialista é "deturpar" a intenção do grupo. "Não há aqui alvos a abater", diz, em resposta ao facto de o refrão começar com a frase Senhor engenheiro, dê-me um pouco de atenção. "Não queremos fazer um ataque político a ninguém. A letra exprime mais um grito de revolta. E é um alerta para o estado da Justiça e para uma classe política em geral que, volta e meia, toma atitudes que deixam os cidadãos desamparados", justifica.
O grupo não poderia prever o impacto desta faixa do disco que celebra os 30 anos de carreira do colectivo e que será apresentado pela primeira vez ao vivo a 24 de Abril, no Seixal. Neste contexto, Zé Pedro insiste que qualquer aproveitamento da música para criticar e contestar o Governo não receberá a "solidariedade" dos Xutos.
Zé Pedro, que, diz, até "simpatiza" com o primeiro-ministro José Sócrates, aponta ainda que quando Tim, o vocalista, escreveu o texto para a música de Kalu, tiveram de optar entre "senhor engenheiro" e "senhor doutor": "Optámos por engenheiro por causa do actual primeiro-ministro, mas nunca quisemos fazer um ataque político directo."
Tim escreveu a letra de Sem eira nem beira já em estúdio, conta Zé Pedro, e "em cima da hora". "Falámos que seria interessante trabalhar uma temática de intervenção e com alguma rebeldia, porque a música é do Kalu e seria ele a cantá-la", afirma.
Vídeos no YouTube
O guitarrista dos Xutos não viu o vídeo transmitido no Jornal Nacional da TVI, no passado fim-de-semana - imagens de José Sócrates em inaugurações e na Assembleia da República, tendo em fundo a música Sem eira nem beira. Mas Zé Pedro não tem dúvidas de que a ideia da TVI foi uma "deturpação" das "intenções" dos Xutos.
Depois da iniciativa da TVI já surgiram mais duas montagens em vídeo no YouTube: ambas utilizam a música dos Xutos e são ilustradas com Sócrates e vários membros do Governo; há imagens das manifestações dos professores, dos protestos dos alunos, do centro comercial Freeport, Manuel Alegre em versão "gato das botas" e um cartaz do filme Os Intocáveis com as personagens Sócrates, Isaltino Morais, Dias Loureiro e Fátima Felgueiras.
Os comentários, laudatórios, partilham a leitura política: "Esta música tem um destino: J. Sócrates"; "é nosso dever exigir políticos sérios e competentes"; "é uma música para puxar pelo povo, para 'dar força para lutar'"; "a letra retrata muito bem a nossa actual situação".
Sócrates não reage
O Gabinete do primeiro-ministro José Sócrates, através do assessor de imprensa Luís Bernardo, disse que nada havia a comentar. Também o PSD não comentou o assunto.
Já o PCP não considera que haja nenhuma situação especial em relação a este tema dos Xutos. O assessor de imprensa, António Rodrigues, declarou ao PÚBLICO: "Quanto à música, não queremos fazer termos de comparação, embora, na nossa opinião, nestes 30 anos, os Xutos tenham tido, além da qualidade de ordem estética, temas com preocupações sociais, cremos que esta música se insere nesses temas."
Mas não excluem poderem vir a usar esta música nas campanhas eleitorais que se aproximam. "Não há ponderação ainda feita sobre que músicas vamos usar, logo também não sobre esta em concreto", disse.
O líder do BE, Francisco Louçã, começou por comentar ao PÚBLICO que não só conhece a música como viu, "ao vivo, a música a ser apresentada, no concerto de aniversário dos Xutos". Mas também o BE não decidiu ainda sobre que músicas utilizará de campanha. Fazendo o paralelo em relação a outras músicas que foram vistas como contra o sistema, caso do FMI de José Mário Branco ou do Talvez... de Pedro Abrunhosa, Louçã considera que se trata de "momentos diferentes, que marcaram tempos diferentes". Particularmente, sobre este tema dos Xutos, Louçã considera que ele "revela um certo cansaço de uma certa geração com uma certa forma de governar" e conclui: "É um manifesto do Xutos. Provavelmente entrará depressa na iconografia popular. Admito que seja uma palavra de ordem de grandes manifestações, mas não creio que os partidos vão usar."
Por sua vez, o CDS relativiza o impacto político específico que a música possa ter. Diogo Feio começou por salvaguardar que não conhece a música: "Não ouvi, mas já ouvi falar da música". E afirma que, para o CDS, a liberdade artística é um valor por si: "Os autores muitas vezes utilizam imagens de crítica social e política de acordo até com as suas ideologias, e as músicas ficam com quem as faz", afirmou Diogo Feio. "A liberdade artística tem de ser respeitada e as pessoas que ouvem analisam e aderem ou não aderem. Há músicas mais críticas, outras menos, e de tempos a tempos surgem músicas assim."
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
A NEVE
Na neve tu caminhaste
na neve tu pensaste
que tudo era possivel
quando amar e'
e nunca deixa de ser.
mas a neve atrasou-te
e a caminhada dolorosa tornou-se
paraste para pensar
e andaste para tras.
Como eu queria acompanhar-te
fonte da minha inspiracao
agua do meu mar
ar que respiro
fogo que me aquece
e terra que me segura...
Diz-me agora e somente
onde estao as forcas imbativeis
que busco no teu olhar
nada mais eu preciso
nada mais vou buscar.
A chave perdida
so tu a sabes encontrar...
'Sandrassm'
na neve tu pensaste
que tudo era possivel
quando amar e'
e nunca deixa de ser.
mas a neve atrasou-te
e a caminhada dolorosa tornou-se
paraste para pensar
e andaste para tras.
Como eu queria acompanhar-te
fonte da minha inspiracao
agua do meu mar
ar que respiro
fogo que me aquece
e terra que me segura...
Diz-me agora e somente
onde estao as forcas imbativeis
que busco no teu olhar
nada mais eu preciso
nada mais vou buscar.
A chave perdida
so tu a sabes encontrar...
'Sandrassm'
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